ORAÇÃO - TEOLOGIA PAULINA

 ORAÇÃO

O apostolado paulino começou em oração e, segundo

a tradição, terminou em oração quando

ele foi martirizado. Todo o seu ministério* baseava-

se na oração e se desenvolvia a partir dela.

Para Paulo, a experiência cristã era essencialmente

(e incessantemente) um ato de oração. Os

redimidos e, portanto, inundados pela graça soberana

do “Deus e Pai de nosso Senhor Jesus

Cristo” de modo intencional e significativo derramam

suas vidas em um ato perpétuo de ação

de graças, sempre conscientes de que dependem

de um Deus* onipresente e onipotente, enquanto

são motivados e fortalecidos pelo Espírito Santo*.

Fora da oração, a vida como escravo* de

Cristo* era inconcebível e impossível.

1. A oração na vida de Paulo: os Atos e as

cartas

2. Análise do material da oração paulina

3. Vocabulário da oração paulina

4. Teologia da oração paulina

1. A oração na vida de Paulo:

os Atos e as cartas

1.1. Raizes espirituais no judaísmo. Antes de

sua conversão*, Saulo de Tarso pertencia à “seita

mais estrita” do judaísmo rabínico do século I

(At 26,5). O jovem fariseu tinha “um zelo transbordante

pelas tradições” de seus antepassados

(G11,14) e se considerava “irrepreensível” quanto

à justiça* legalista (F1 3,6; ver Paulo, o judeu).

Devido a essas afirmações, podemos supor

que esse rabino sincero participava plenamente

das orações preceituadas pelo judaísmo farisaico.

As orações de louvor, invocação, ação de

graças, confissão, súplica e intercessão* faziam

todas parte da rotina cotidiana de Saulo (ver

Bênção, invocação, doxologia, ação de graças).

Entre os rabinos piedosos, as orações públicas

formais eram associadas a refeições, a transições

de vida como nascimento, casamento e morte,

à leitura e ao estudo da lei*, ao culto* na sinagoga

local, a festas religiosas nacionais e aos rituais

do Templo de Jerusalém. O AT atesta considerável

espontaneidade e intimidade na oração particular

(ver os salmos de David, por exemplo),

mas o farisaísmo adaptava grande parte da oração

pessoal a formas fixas, como a Shema

(s‘ma‘, Dt 6,4-9; 11,13-21 e Nm 15,37-41), repetida

de manhã e à noite na terceira e na nona

horas (cf. Esd 9,5; Dn 9,21), juntamente com

diversas bênçãos introdutórias e finais prescritas

e os tefilin (fpillãh) ou dezoito bênçãos

(s'mõneh ‘esrêh), aparentemente repetidas três

vezes por dia (ver SI 55,17 e Dn 6,10; cf. At

10,9). Há quem afirme que a espiritualidade do

judaísmo do século I pode ter sido muito mais

variada do que se costuma supor, já que os

manuscritos de Qumran* e as liturgias remanescentes

das sinagogas comprovam considerável

variação nas formas judaicas de oração. Entretanto,

podemos ter certeza de que a oração tinha

extrema importância para fariseus como Saulo;

segundo a tradição rabínica, sem uma vida de

oração sistemática, disciplinada e estruturada

não era possível alcançar a justiça pessoal. Entretanto,

é evidente que, em muitos pontos, a

experiência paulina de oração dinâmica deve

mais ao ethos e aos exemplos do Saltério veterotestamentário

e à emoção dos profetas de Israel

que ao ritualismo rabínico.

1.2. Discernimentos do Livro dos Aios. A

narrativa lucana nos Atos enfatiza o papel central

que a oração desempenhava na vida de Paulo.

A conversão* inicial, o ministério, o batismo*

e a obra missionária do apóstolo estavam ligados

à oração. Saulo ouviu as orações de Estêvão moribundo

ao “Senhor Jesus” (At 7,59-60; 22,20).

Logo depois, na estrada de Damasco, falou diretamente

com o Cristo ressuscitado, e o chamou

de “Senhor” (At 9,5). Durante o período de três

dias de oração e jejum que se seguiu (At 9,11),

Saulo veio a entender pela primeira vez que

“Jesus é o Filho de Deus” (At 9,20). Depois da

comunicação por Ananias de sua missão apostólica,

Saulo foi imediatamente batizado, enquanto

ORAÇÀO

ORAÇÀO

invocava “o seu nome” em oração (At 22,16;

cf. 9,19; Rm 10,9-10.14). Mais tarde, o apóstolo

recebeu orientação pessoal de Cristo enquanto

estava “a orar” no Templo de Jerusalém (At

22,17; cf. 9,26-30; 16,9-10). Foi durante um período

de “orações acompanhadas de jejum” que

o Espírito Santo instruiu a Igreja da Antioquia

da Síria para reservar Bamabé* e Saulo para a

missão evangelizadora (At 13,2-3). Do mesmo

modo, os dois missionários confirmaram anciãos

nas Igrejas inexperientes de Listra, Icônio

e Antioquia com “orações acompanhadas de

jejum” (At 14,23). Perto de Filipos, em “um lugar

de oração” judaico, Paulo conheceu Lídia,

a primeira pessoa que ele converteu na Macedônia

(At 16,13.16). O carcereiro fílipense converteu-

se depois de um terremoto, aparentemente

resposta milagrosa à “oração” e aos “louvores

de Deus” pelos presos Paulo e Silas (At 16,25).

A última viagem a Jerusalém* foi ocasião de

oração e lágrimas com os anciãos efésios (At

20,36-37) e, mais tarde, uma comovente cena

de oração com todos os discípulos, “inclusive

mulheres e crianças”, de joelhos na praia de Tiro

(At 21,5). É provável que visitas incentivadoras

de Cristo (At 23,11) e de um anjo* (At 27,23)

também estivessem ligadas à oração. Os Atos se

encenam com a intercessão paulina pelos outros:

Lucas diz que “depois” da oração o apóstolo,

“pela imposição das mãos”, curou o pai doente

de Públio, o primeiro magistrado de Malta. Essa

cena repetiu-se com certeza, porque “todos os

habitantes da ilha que estavam doentes vinham

ter com ele e por sua vez [também] eram curados”

(At 28,8-9).

1.3. Reflexões de Paulo em oração nas

cartas. Estritamente falando, as cartas paulinas

não contêm quase nada que possa ser descrito

como oração pessoal ou pública. As cartas neotestamentárias

representam um gênero literário

bem diferente das narrativas dos evangelhos e

dos Atos ou das visões joaninas no Apocalipse.

Dirigir-se diretamente a Deus enquanto se escrevia

para outros era proibido pelas convenções

da redação epistolar* antiga. O que encontramos

nas cartas paulinas são referências, alusões e

relatos a respeito de suas orações.

1.4. Pedidos de oração. Com razão, G. P.

Wiles diz que “o ministério dinâmico paulino

incluía um relacionamento triangular entre Deus

(conhecido em Cristo e por meio do Espírito

Santo), ele próprio como apóstolo* comissionado

e as Igrejas pelas quais ele era responsável”

(Wiles, 2). Em conseqüência, o apóstolo exorta

diversas vezes os leitores “a combaterdes comigo

com as orações que dirigis a Deus por mim”

(Rm 15,30; cf. lTs 5,25). Seus pedidos de oração

são tanto diretos como indiretos, e muitas

vezes bastante específicos. 2 Tessalonicenses

3,1-2 resume as preocupações mais comumente

mencionadas: “De resto, irmãos, orai por nós, a

fim de que a palavra do Senhor prossiga o seu

curso, seja glorificada como já o é entre vós, e

nós escapemos dos homens perversos e malvados;

pois nem todos têm fé”. Em Romanos 15,30-

32, o enfoque é duplo: 1) que o apóstolo se livre

dos judeus da Judéia que desejavam prejudicá-

lo e à missão gentia; 2) que a coleta reunida

pelas Igrejas predominantemente gentias da

Ásia, da Macedônia e da Acaia fosse recebida

positivamente pelos judeu-cristãos empobrecidos,

porém mais conservadores, de Jerusalém.

Alhures, Paulo expressa confiança de escapar

ao “perigo” mortal enquanto os fiéis de Corinto

ajudam-no com suas orações (2Cor 1,8-

11). Efésios 6,19 emite uma nota mais urgente,

quando o apóstolo pede a intercessão a fim de

“que a palavra seja posta em minha boca para

anunciar ousadamente o mistério* do Evangelho”.

O pedido de coragem repete-se em Efésios

6,20: “Orai, pois, a fim de que eu encontre neste

Evangelho a ousadia necessária para falar dele

como devo”. O padrão se repete nas exortações

finais do apóstolo aos colossenses*: “Ao mesmo

tempo, rezai também por nós: que Deus abra

uma porta à nossa pregação... que eu o publique

como cumpre que fale a seu respeito” (Cl 4,3-

4). Com os que ele conhece melhor, Paulo parece

mais confiante: ao dizer aos filipenses* que

espera ser libertado da prisão romana “graças à

vossa oração” (F1 1,19) e ao assegurar a Filêmon:

“prepara-me uma hospedagem: pois,

graças a vossas orações, eu conto vos ser devolvido”

(Fm 22). A instrução em 1 Timóteo 2,1-8,

que recomenda a intercessão de “todos os homens”,

deve ser considerada um pedido explícito

do apoio da oração pessoal, pois o versículo 7

enfatiza a constituição divina de Paulo como

H ORAÇÃO

ORAÇÃO

“arauto e apóstolo... doutor”, em ligação com

a missão gentia.

2. Análise do material da oração paulina

2.1. Tendências da pesquisa. R. Gebauer analisou

a pesquisa do material da oração paulina. P.

T. O’Brien e G. P. Wiles também produziram

sumários proveitosos. Entretanto, comparado a

preocupações com a cristologia* ou a soteriologia,

o interesse dos estudiosos pelo material de

oração neotestamentário tem sido relativamente

pequeno. Há diversas razões prováveis para isso.

A espiritualidade preocupava diversos Padres da

Igreja primitiva, mas no período pós-apostólico

a oração não era tema importante nos concílios

da Igreja e era praticamente ignorada pelos que

formularam os credos. No período moderno, o

estudo formal da oração na Escritura tem sido

desencorajado por três tendências discemíveis

na cristandade.

1) A partir de 1900, aproximadamente, os

pesquisadores sentiam-se cada vez mais desconfortáveis

com as suposições dos autores antigos

a respeito da existência do sobrenatural. Rezar

e escrever como Paulo fez supõe uma visão universal

supostamente pré-científica na qual se

presume a existência de um Deus vivo onipotente

mas pessoal, que está ativamente envolvido

na realização de sua vontade na Terra e responde

à oração. Os estudos bíblicos histórico-criticos

modernos tendem a destruir as bases protetoras

teológicas da oração de súplica, juntamente com

a certeza da Igreja quanto a milagres bíblicos,

profecias e à divindade de Cristo.

2) Depois da Primeira Guerra Mundial, o

existencialismo filosófico exerceu forte influência

nos estudos neotestamentários. R. Bultmann

disse: “A maneira de alguém rezar não diz respeito

a ninguém mais, nem mesmo ao historiador.

E quem quer que se permita julgar o fervor

ou a profundidade da oração de Jesus só prova

que não entende nem respeita o conceito que

Jesus tinha da oração. Com efeito, quem quer

que pense assim ou considera a oração um mero

fenômeno psicológico que se toma objeto de

análise interessante [reação de Bultmann à obra

de F. Heiler] ou se arroga o direito de Deus. Efetivamente,

de acordo com Jesus, rezar é conversar

com Deus; quem acha que pode avaliar qualquer

oração presume-se no lugar de Deus”. Tais opiniões,

expressas com tanta veemência por estudiosos

de influência significativa, fizeram que

o estudo da oração neotestamentária parecesse

ilegítimo. É notável que H. Greeven, G. Harder

e P. Schubert tenham realizado seus estudos inovadores

em face desse desencorajamento.

3) Em uma época na qual problemas sociais,

políticos e econômicos dominavam grande

parte da Igreja, houve a tendência a considerar

a espiritualidade bíblica “sobrenatural” e irrelevante.

O fato de um ativista apostólico revolucionário

que, com seu ministério, sublevou “o

mundo inteiro” (At 17,6) obter grande poder da

oração tem sido muito menosprezado. Apesar

de nas últimas décadas ter havido excelente contribuições

(ver esp. a obra de R. Gebauer, P. T.

O’Brien e G. P. Wiles), o estudo do material da

oração paulina continua a ser truncado devido

a constantes apreensões dos estudiosos quanto

à autoria apostólica de 2 Tessalonicenses, das

cartas do cativeiro e das Pastorais*. Quando se

toma realmente o enfoque de pesquisa séria, a

oração é examinada friamente: atomizada, analisada

e categorizada de uma forma que raramente

parece refletir o poder e a paixão da espiritualidade

apostólica.

2.2. Classificação geral: a oração profética.

Das Gebet, de F. Heiler, estudo da história, da

fenomenologia e da psicologia da experiência

humana de oração, divide a oração em seis classes

fundamentais: primitiva, ritual, grega, cultural,

filosófica, mística e profética. Apesar daqueles

que consideram Paulo místico (quase sempre,

em grande parte, com base em sua descrição dos

fiéis “em Cristo”; ver Em Cristo), é evidente

que o apóstolo rezava em continuidade com as

tradições da oração “profética” ou bíblica, não

da oração “mística”. A espiritualidade paulina

nunca procura “se fundir” com a divindade; e

suas cartas não contêm nenhuma instrução que

seja corretamente entendida como meio para

uma oração mística para um Deus (impessoal)

por intermédio de visões associadas ao ascetismo

ou com base na elucidação obtida pela comunicação

de conhecimento esotérico (secreto).

Em geral, o misticismo* afirma que, à medida

que a espiritualidade amadurece, a petição e a

súplica são substituídas pelas chamadas formas

ORAÇÃO I

ORAÇÃO p E E *

superiores de oração, tais como a meditação e a

contemplação. Em contraste, as cartas paulinas

do cativeiro evidenciam constantes, vigorosas

súplicas e intercessões na vida de oração do

apóstolo, e exortações aos leitores: “em toda

ocasião, pela oração e pela súplica acompanhadas

de ação de graças, apresentai a Deus os vossos

pedidos” (F1 4,6). As Pastorais continuam

esses temas: “... eu recomendo que se façam pedidos,

orações, súplicas, ações de graças por

todos os homens” (lTm 2,1).

2.3. Classificação pelo conteúdo. A verdadeira

oração é expressão fluente (há quem diga

espontânea) do espírito humano que não se presta

prontamente a análise ou atribuição em categorias

rígidas. Contudo, a Escritura, o culto* e

a cultura contribuem para a forma como os cristãos

rezam. Como conseqüência, são discemíveis

padrões e características, e tentativas de

classificação auxiliares úteis para o estudo e a

formação espiritual. O material bíblico de oração

pode ser categorizado pelo conteúdo como: 1)

louvor, ação de graças, culto, adoração; 2) contemplação,

meditação; 3) confissão, lamentação,

oração penitencial; 4) solicitação, petição, súplica,

intercessão; 5) declaração, afirmação, voto,

juramento; 6) invocação, doxologia, bênção; 7)

queixa, imprecação (oração que pede vingança,

maldição). Não há nenhum exemplo inconteste

de material de oração paulina nas categorias 2 e

3. As categorias 1 e 4 são mais freqüentes: ações

de graças e intercessões predominam. Vemos

ênfases semelhantes nos relatos evangélicos das

orações de Jesus.

2.4. Classificação pela forma. Desde o tempo

de G. Harder e P. Schubert, os estudiosos geralmente

classificam a parte principal do material

da oração paulina como 1) orações votivas

ou 2) relatos de oração.

2.4.1. As orações votivas. As orações votivas

referem-se a Deus indiretamente, com o emprego

da terceira pessoa e do optativo do verbo

grego: “Queira o mesmo Deus, nosso Pai, e

nosso Senhor Jesus dirigir nosso caminho para

vós. Que o Senhor faça crescer e abundar o amor

que tendes.... Que ele fortaleça assim vossos corações

...” (lTs 3,11-13). Formas semelhantes

encontram-se em Romanos 15,5-6.13; 1 Tessalonicenses

5,23-24; 2 Tessalonicenses 2,16-17;

3,5.16; 2 Timóteo 1,16.18; 2,25; 4,16b (cf. Hb

13,20-21). Um optativo está subentendido em

Romanos 15,33 e observam-se outras orações

votivas que usam o íúturo em Romanos 16,20;

1 Coríntios 1,8-9 e Filipenses 4,19.

G. P. Wiles inclui nessa categoria as saudações

epistolares ou “bênçãos” que iniciam e

concluem as cartas paulinas. Com pequenas

modificações, todas contêm uma oração votiva

semelhante à de Romanos 1,7: “[Que haja]

graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do

Senhor Jesus Cristo”. (Não é incomum os estudiosos

rotularem textos como Ef 1,3-4, que começam

com “bendito seja” ou “abençoado

seja” [eulogein] com o termo hebraico berakoth

[be‘rãkôt], classificação usada para bênçãos

extensivas no AT e em outros textos judaicos.

No caso da ação de graças, outro termo hebraico,

hodayoth [hôdãyôt], é às vezes usado com

referência aos inícios com “graças sejam” [eucharistein];

ver Bradshaw.)

Embora o estilo varie consideravelmente,

todas as cartas paulinas concluem com bênçãos

de orações votivas. Um exemplo clássico é 2 Coríntios

13,13: “A graça do Senhor Jesus Cristo,

o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo

estejam convosco”. Os estudiosos também incluem

na categoria da oração votiva a chamada

maldição* em 1 Coríntios 16,22: “Se alguém não

ama o Senhor, seja anátema” (cf. ICor 5,3-5 e

G11,8-9). (A AV e a NKJV traduzem 2 Timóteo

4,14b como oração para a retribuição: “Que o

Senhor lhe retribua de acordo com as suas [más]

obras”. Mas a TEB, seguindo os melhores textos

gregos, tem o verbo no futuro do indicativo

ativo, que indica a confiança do apóstolo na justiça

divina: “O Senhor lhe retribuirá de acordo

com as suas [más] obras” (em vez de uma oração

votiva para a vingança.) Também incluída está

a invocação de Gálatas 6,16: “Sobre os que se

conduzem segundo esta regra, paz* e misericórdia*,

assim como sobre o Israel de Deus”.

2.4.2. Relatos de oração. Embora alguns relatos

de oração mencionem as orações de Paulo

pelos outros (Rm 10,1) ou a oração de outros por

seus leitores (2Cor 9,14), a maioria do material

geralmente classificado sob essa denominação

consiste em referências à ação de graças e/ou à

intercessão do apóstolo por seus leitores. Os reH

ORAÇÃO

ORAÇÃO

latos de oração são aspectos proeminentes das

pastes introdutórias da maioria das cartas paulinas;

2 Coríntios começa com a famosa exclamação

doxológica: “Bendito seja Deus, Pai de nosso

Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e

Deus de toda consolação” (2Cor 1,3), enquanto

Gálatas, 1 Timóteo e Tito, documentos que parecem

ter sido escritos em circunstâncias prementes,

não têm nenhum equivalente.

As referências a ação de graças e intercessão

estão com freqüência misturadas, como em Romanos

1,8-10: “Em primeiro lugar, dou graças

ao meu Deus mediante Jesus Cristo por todos

vós: no mundo inteiro se proclama que tendes fé.

Pois Deus me é disso testemunha, ele ao qual eu

presto um culto no meu espírito, anunciando o

Evangelho de seu Filho: eu faço sem cessar

menção a vós, pedindo continuamente, nas minhas

orações, que eu tenha enfim, por sua vontade,

a oportunidade de ir ter convosco”. Alguns

relatos introdutórios de oração (ver, e.g.,

Cl 1,3-14) tendem a se fundir com o conteúdo da

carta propriamente dita. P. Schubert e J. T. Sanders

propuseram critérios específicos para discernir

transições, mas essa é uma questão difícil.

A preferência do apóstolo por sintaxe prolixa

também complica a análise dos relatos de oração.

Efésios 1,16-23, por exemplo, é uma sentença

grega contínua.

Em diversos relatos da oração paulina, uma

forma de oração começa antes da conclusão

de um tipo precedente. Textos como 2 Coríntios

9,11-13 comprovam a superposição de doxologia

e ação de graças; e 1 Coríntios 14,16 mostra

a mistura de bênção e ação de graças. Em alguns

relatos (ver Cl 1,3-14 e 2Ts 1,3-12), o

apóstolo menciona a oração, mas parece passar

para o ensinamento direto e voltar à oração novamente

no final. Os estudiosos usaram a expressão

período para designar a parte de uma

carta geralmente reconhecida como relato de

oração ampliado (assim, na literatura erudita,

encontramos referências a, e.g., “períodos paulinos

de ação de graças”).

2.4.3. Períodos introdutórios de ação de

graças. Os períodos introdutórios de ação de

graças têm ocasionado a maioria das discussões

eruditas. A análise sintática geralmente aceita

de P. Schubert discerniu duas formas básicas:

1) A mais freqüente começa com a expressão

“Dou graças a Deus” (geralmente: eucharistõ

tõ theô) como oração principal, com o verbo

principal modificado por um, dois ou três

particípios que se seguem. Os particípios são

sempre nominativos masculinos, e deixam claro

que o apóstolo em pessoa oferece a oração. O

período conclui com uma oração subordinada

final de propósito ou resultado (introduzida por

hina, hyper ou eis to seguido de um infinito).

2) O segundo tipo de Schubert é mais simples,

mas também menos pessoal: também começa

com a oração principal: “Dou graças a

Deus”, mas é seguida por uma oração subordinada

causal-hoti, e conclui com uma oração subordinada

de resultado. Em pelo menos três

casos (Rm 1,8-15, lTs 1,2-10 e 2Ts 1,3-12), as

duas categorias de formas estão misturadas.

2.4.4. Forma e junção. A análise de Schubert

levou-o a concluir que a função essencial

das ações de graças paulinas era simplesmente

“indicar a ocasião e o conteúdo das cartas que

elas introduzem” (Schubert, 27). Ele chegou a

essa conclusão pela análise formal detalhada de

todos os usos conhecidos do verbo eucharistein

(“dar graças”) em material neotestamentário

não-paulino, na LXX, em Fílon e em papiros

epistolares e inscrições gregas. Como são evidentes

muitos paralelos helenísticos não-bíblicos,

Schubert concluiu com confiança, “sem

sombra de dúvida”, que o apóstolo não era tanto

um judeu da diáspora que foi “exposto” à cultura

e à linguagem da Grécia quanto um rematado

“helenista filho de helenistas”, que empregava

a forma de ação de graças epistolar “estritamente”

(e apenas) como estratagema literário

conveniente para indicar por que ele escrevia

determinada carta e introduzir temas que desenvolveria

mais tarde no corpo da carta (Schubert,

183-184). Schubert admitiu que Paulo não deixou

de ter originalidade ao imitar formas literárias

helenísticas (alguns aspectos das ações de

graças paulinas são muito mais desenvolvidos

estruturalmente que muitos exemplos nas cartas

gregas remanescentes). Mas a esse respeito só

nos resta, como diz P. T. O’Brien, “imaginar se

Paulo realmente dava graças (ou, de algum modo,

oferecia súplicas) às Igrejas participantes”

(O’Brien, 13).

ORAÇÃO I _____

ORAÇÃO p * 8 ®

Form and Function de Schubert foi publicado

em 1939, antes das descobertas de Qumran e seu

enriquecimento dos estudos bíblicos e históricos.

Logo depois da publicação dos Manuscritos de

Qumran*, J.-P. Audet e J. M. Robinson demonstraram

que as influências litúrgicas e de oração

das culturas gregas e judaicas do período neotestamentário

não eram tão isoladas quanto Schubert

acreditara. J. A. Fitzmyer (223-225) e G. Delling

(51-54) sugerem, contra Schubert, que, embora a

estrutura das ações de graça introdutórias paulinas

seja manifestamente helenística em forma, seu

conteúdo (apesar de obviamente cristão) foi claramente

influenciado pelo judaísmo e a ele muito

deve. A afirmação do apóstolo de ser “hebreu,

filho de hebreus” (F1 3,5) da cidade helenística

de Tarso ajusta-se bem a essa conclusão.

Muitos estudiosos neotestamentários agora

acreditam que o uso paulino de formas de oração

epistolares helenísticas não domina nem determina

o conteúdo dos períodos de ação de graças

intercessora. Nas últimas décadas, os pesquisadores

levaram o estudo do material de ação de

graças e intercessor paulino para além da análise

de forma, estrutura e função, a fim de considerar

seriamente seu propósito como orações e

seu papel no ministério do apóstolo. Uma crítica

extensiva da obra e da análise exegética de Schubert

foi feita por P. T. O’Brien. Seu Introductory

Thanksgiving in the Letters o f Paul (1977) e seus

artigos subseqüentes estabelecem claramente algumas

conclusões:

1) “Os relatos de ação de graças e oração

peticionária paulinos são prova das profundas

preocupações pastorais e apostólicas pelos destinatários”

(O’Brien, 262).

2) Os períodos de ação de graças e os relatos

de oração intercessora também têm função didática.

Quando eram lidas em uma congregação,

as cartas lembravam aos fiéis a pregação apostólica

em sua cidade. As orações enfatizam a fidelidade

de Deus e realçam elementos essenciais

do ensinamento paulino a respeito da vida dos

fiéis em Cristo. Desse modo, também serviam

de “modelo para eles darem graças quando se

lembravam dos irmãos de fé diante de Deus”

(O’Brien, 1977, 14; cf. 262-263).

3) Muitas vezes, o material da oração introdutória

também parece “prefigurar” o material

“parenético” (exortação, advertência) que mais

tarde ganha importante ênfase na carta. Este aspecto

é proeminente em especial nos relatos de

oração intercessora. (A análise deste aspecto ganhou

muita ênfase em Paul 's Intercessory Prayer,

obra pioneira de G. P. Wiles, de 1974.)

4) O’Brien faz uma distinção importante

entre a função parenética dos relatos de oração e

sua função epistolar mais óbvia “de introduzir

e indicar os temas principais das cartas”. Ele

conclui que os “relatos de oração” paulinos são

exatamente isso: não são apenas um estratagema

literário interessante e apropriado, mas sim relatos

(ou talvez resumos) de ações de graças e súplicas

que o apóstolo oferecia por suas Igrejas.

O’Brien repete Wiles, que concluiu:

Nas mãos de Paulo, os usos convencionais

de estilo epistolar antigo ganharam mais peso

com novo sentido, e foi descoberto que as

orações davam expressão de vida concentrada

a seu amor profundamente responsável, suas

ansiedades vitais e suas esperanças ardentes.

Cada uma das orações era evocada por determinado

contexto e adaptada a ele; as linhas

de preocupação concentravam-se em cada

ocasião ameaçadora, por meio da carta composta

para aquela situação e por meio das

passagens que a refletiam (Wiles, 293).

A oração apoiava toda a sua obra missionária

— antes de visitas, durante elas e depois que

ele partia. Todos os seus planos eram concebidos

sob a constante sensação da orientação

e da vontade de Deus. A seus olhos, nenhum

desses avanços arrojados parecia valer a pena

separados do apoio contínuo das orações do

apóstolo e de seus colaboradores. Consideradas

juntas, então, as passagens de orações

intercessoras apresentam impressionante documentação

da confiança infalível que Paulo

tinha no ministério da súplica, dele próprio e

dos irmãos de fé (Wiles, 296).

3. Vocabulário da oração paulina

3.1. Terminologia. O vocabulário da oração é o

mais rico do NT e o apóstolo usa termos da oração

com mais freqüência que qualquer outro autor.

A estatística de palavras neotestamentárias

de R. Morganthaler indica que 16 palavras difeORAÇÃO

ORAÇÃO

rentes para oração aparecem 105 vezes nas 13

cartas paulinas. (Em comparação, Mateus tem 8

palavras usadas 30 vezes; Marcos apenas 5 usadas

18 vezes; Lucas tem 10 termos usados 46 vezes;

João somente 3 palavras usadas 18 vezes; os Atos

têm 6 palavras usadas 36 vezes; Hebreus tem 3

palavras usadas uma vez cada uma. No restante

do NT, 11 termos de oração são usados 36 vezes.)

A predileção do apóstolo pela ação de graças é

notável: eucharisteõ (“dar graças”) aparece 23

vezes; e eucharistia (“ação de graças”) 12 vezes.

O’Brien mostra que “Paulo mencionou o assunto

de ação de graças com maior freqüência por página

que qualquer outro autor helenístico, pagão

ou cristão” (O’Brien 1980,61). As palavras preferidas

do apóstolo para súplica são pmseuchomai

(“rezar”), 19 vezes; proseuchê (“oração”), 14 vezes;

deèsis (“solicitação, pedido”), 12 vezes e epikaleõ

(“rogar”), 6 vezes. G. P. Wiles não percebeu

nenhum termo único para intercessão: “Em vez

disso, Paulo usa palavras gerais para oração de

maneira a subentender que a oração é em benefício

de outros” (Wiles, 18). Em diversas passagens,

terminologia que não é de oração é usada

com referência à oração (ver, e.g., Rm 15,30,

synagõnizomai [“participar”]; 2Cor 1,11, synypourgeõ

[“cooperar”]; lTs 1,2, mneia [“menção”];

lTs 1,3, mnêmoneuõ [“lembrança”].

3.2. Fontes e raízes. A linguagem de oração

paulina contém termos com os quais praticamente

todos os leitores de língua grega do século

I estavam familiarizados — até mesmo os convertidos

recentemente do paganismo. Contudo,

ele usa essas palavras em expressões que indicam

as profundas raízes de sua vida espiritual

na Escritura veterotestamentária, em especial os

Salmos. Foram sugeridas semelhanças com os

textos de Qumran e observados paralelos com

a LXX, usados pelos judeus helenísticos. Um

número crescente de estudiosos percebe elos entre

a linguagem de oração paulina e as formulações

litúrgicas do culto cristão primitivo. Os

comentaristas têm uma tendência discemível a

considerar expressões cristológicas universais

nas orações, por exemplo: “Deus, Pai de nosso

Senhor Jesus Cristo” (Cl 1,3; cf. Ef 1,2), prova

de autoria pós-apostólica. Contudo, encontrase

linguagem muito semelhante em contextos

de oração das principais cartas (Hauptbriefe) de

Paulo: “de tal modo que não vos falta nenhum

dom da graça, a vós que esperais a revelação de

nosso Senhor Jesus Cristo. É ele também que

vos confirmará até o fim, para que sejais irrepreensíveis

no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.

Fiel é o Deus que vos chamou à comunhão com

seu filho, Jesus Cristo, nosso Senhor” (ICor 1,7-

9; cf. 2Cor 1,3). O’Brien conclui que “frases da

oração votiva de 1 Tessalonicenses 3,11-13 foram

provavelmente usadas no culto cristão prépaulino”

(O’Brien, 1977,264). Os que estão familiarizados

com a pesquisa a respeito dos temas

e expressões do querigma primitivo ficam imediatamente

admirados com a repetição de muitos

temas característicos nas orações paulinas. Termos

como proclamar, Evangelho*, receber (uma

tradição*), testemunho*, a palavra de Deus, graça*,

fé*, esperança* e amor* são comuns na

pregação cristã primitiva. Na linguagem de “produzir

fruto” de Colossenses 1,10, O’Brien percebe

ecos de Marcos 4,19;13,20. Há paralelos com

conceitos de “fertilidade” do AT (cf. Is 5,1-4 e

SI 80,14-15), e os que postulam um Sitz im Leben

original para a parábola marcana no ministério

terreno de Jesus encontram aqui provas de

uma ligação entre a linguagem de oração paulina

e o ensinamento de Jesus.

4. Teologia da oração paulina

4.1. Resultados da oração a partir de uma

visão teocêntrica do mundo. Paulo levou a vida

em uma conscientização de momento a momento

da existência eterna de um Deus santo

e soberano, “o bem-aventurado e único Soberano,

Rei dos reis, Senhor dos senhores, o único

que possui a imortalidade, que habita numa

luz inacessível, que nenhum homem viu nem

pode ver” (lTm 6,15-16; cf. lTm 1,17). Como

“tudo é dele, e por ele, e para ele” (Rm 11,36),

era impossível para o apóstolo imaginar qualquer

atividade humana separada de Deus: “Pois

é nele que nós temos a vida, o movimento e o

ser” (At 17,28). Esta visão do mundo totalmente

teocêntrica moldou de modo fundamental a

vida espiritual e a oração paulinas.

4.2. A oração como obrigação das criaturas.

A oração, em especial a ação de graças, é conseqüência

lógica, natural e necessária do entendimento

que o apóstolo tinha da realidade. A resORAÇÀO

I

o r a ç Ao P 2 8 *

peito dos que não reconhecem a existência de

Deus, nem se acham na obrigação de prestar

contas a um santo criador, ele diz: “conhecendo

a Deus, não lhe renderam nem a glória, nem a

ação de graças que são devidas a Deus; pelo

contrário, eles se transviaram em seus vãos raciocínios

e o seu coração insensato se tomou

presa das trevas; pretendendo-se sábios, eles se

tomaram estultos” (Rm 1,21-22; cf. 2Tm 3,2).

A teologia paulina básica de oração foi, assim,

edificada na certeza racional de que Deus existe

e pessoal e providencialmente sustenta a criação

(cf. Cl 1,16-17). Contudo, essa motivação à oração

origina-se de muito mais que a obrigação

das criaturas de glorificar o criador.

4.3. Ação de graças motivada pela salvação.

Saulo, o fariseu, estava, com certeza, consciente

da responsabilidade moral humana perante Deus.

Mas, depois de sua conversão, Paulo afirmou que

“não há justo, nem mesmo um só” (Rm 3,10) e,

o que é mais, nenhum esforço humano, nenhum

sistema legal possibilita a alguém igualar-se à

“glória* de Deus” (Rm 3,20; 5,12; 8,3). A oposição

pessoal de Paulo a Cristo e sua perseguição

da Igreja primitiva são a base para a afirmação

de que ele “outrora era blasfemo, perseguidor e

violento”, o pior dos pecadores (lTm 1,13.15-

16; cf. At 9,4-5). É possível conjeturar que a

raiz do fervor do apóstolo para rezar originouse

menos de sua consciência de que apesar de

ser desprezível, indefeso e condenado perante

Deus por causa da culpa de seu pecado* lhe fora

“concedida misericórdia” porque, como confessa,

“agi por ignorância, não tendo fé. De fato,

para mim superabundou a graça de nosso Senhor,

bem como a fé e o amor que há em Cristo

Jesus” (lTm 1,13-14). É isso que produz a exclamação:

“Graças sejam dadas a Deus por Jesus

Cristo, nosso Senhor!” (Rm 7,25). O perdão dos

pecados, a redenção* e a justificação* pela graça

de Deus por meio da fé não deixavam lugar para

o “orgulho” humano. Mas, para Paulo, ser trazido

das trevas para a luz*, do poder de Satanás*

para Deus — receber direitos plenos como filho

de Deus —, era tão espantoso que praticamente

compelia à incessante ação de graças: “Estai

sempre alegres, orai incessantemente, dai graças

em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade

de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus” (lTs

5,16-18). Por isso, os cristãos caracterizam-se

por render “graças a Deus Pai, em nome de nosso

Senhor Jesus Cristo” (Ef 5,20).

Foi sugerido que os que rezam “em nome

de Jesus” acabarão por rezar a Jesus. Como

Paulo afirma repetidamente a divindade de

Cristo e havia observado a oração oferecida a

Jesus (At 7,59), é notável que suas preces votivas,

seus relatos de oração, suas doxologias e

bênçãos não evidenciem a oração a Cristo, como

súplica ou intercessão (nem existe indício de

oração oferecida ao Espírito Santo). Parece que

Paulo confirmou como normativa a máxima declarada

com freqüência: “A oração é cooperação

entre Deus e o fiel, visto que é apresentada ao

Pai, em nome do Filho, pela inspiração do Espírito

Santo que habita em nós” (Thompson, 960;

cf. Clowney, 133-173). Contudo, está claro que

Paulo não aderiu de forma rígida a esse esquema:

1 Coríntios 16,22 contém seu famoso uso da

exclamação aramaica Marana tá (“Nosso Senhor,

vem!”; cf. Ap 22,20; ver Hinos).

4.4. Oração essencial ao serviço. A experiência

pessoal paulina do “bem supremo que é o conhecimento

de Jesus Cristo, meu Senhor” (F13,8)

reforçou sua missão apostólica e seu compromisso

com a proclamação do Evangelho. Naturalmente,

o desejo de seu coração e sua “oração a

Deus por eles é que eles cheguem à salvação”

(Rm 10,1). E parece razoável supor que ele rezava

do mesmo modo pelos gentios. Ele pedia intercessão

(Ef 6,19-20; Cl 4,3-4) para Deus 1) abrir uma

porta para a palavra do Evangelho; 2) dar-lhe coragem

ou segurança desinibida para pregar e 3)

dar-lhe facilidade de discurso em sua proclamação.

A oração para Deus era essencial no entendimento

que o apóstolo tinha do trabalho evangelizador.

Em um nível puramente humano, mesmo

o Evangelho anunciado da maneira mais eloqüente

permanecia “velado para os que se perdem,

os incrédulos, cuja inteligência foi cegada

pelo deus deste mundo, a fim de que não percebam

a iluminação do Evangelho da glória do

Cristo, que é a imagem de Deus” (2Cor 4,3-4;

cf. ICor 2,14). Não era nem o pregador nem o

convertido, mas sim Deus que, de modo sobrenatural,

intervinha por meio do chamado do Espírito

e justificava os que acreditavam. Também

era esperada a prece por parte do convertido.

H ORAÇÃO

ORAÇÃO

4.5. O papel da mente na oração. Romanos

10,9-14 liga a salvação* à fé, à confissão e à

oração. A referência à oração (com o emprego

da expressão “invocar o nome do Senhor”, cf.

Gn 12,8; SI 99,6) é de extrema importância. Enfatiza

a responsabilidade do indivíduo para responder

ao Evangelho, revela o entendimento que

Paulo tem da fé e esclarece o papel que ele atribuía

à mente na oração. Em Romanos 10,14, o

apóstolo liga, de maneira inequívoca, 1) o conhecimento*

de Deus, 2) a fé baseada nesse conhecimento

e 3) a oração que procede dessa fé. É

evidente que Paulo não considerava a fé da qual

se origina a oração autêntica uma espécie de

salto no escuro. Para ele, a oração vem de uma fé

inteligente ou racionalmente informada e se baseia

na certeza de que Deus não é “desconhecido”

(cf. At 17,22-28), mas antes revelou-se na

criação, na história, em Cristo, na Escritura e no

Evangelho. As tendências modernas de separar

a fé da razão não encontram nenhum apoio aqui.

Uma ênfase semelhante a respeito do uso do

intelecto ao rezar ocorre em 1 Coríntios 14,14-17:

“Se eu oro em línguas, eu estou inspirado, mas a

minha inteligência nada produz. Que fazer, então?

Eu rezarei inspirado pelo Espírito, mas rezarei

também de modo inteligível.... Pois, se somente

a inspiração atua quando pronuncias uma

bênção, como aquele que faz parte dos simples

ouvintes poderá dizer ‘amém’ à tua ação de graças,

já que não sabes o que estás dizendo? Sem

dúvida a tua ação de graças é notável, mas o outro

não é edificado”. O apóstolo agradeceu a

Deus por falar em línguas “mais do que todos vós”

(ICor 14,18), e em 2 Coríntios 12,1 ele proclama

“visões e revelações” (talvez associadas à oração)

durante as quais ele ouviu “coisas inexplicáveis”.

Mas ele parece ter considerado um estado mental

racional menos sujeito ao abuso ou a ser entendido

mal durante a oração, principalmente em

reuniões públicas (cf. ICor 14,32-33).

4.6. Oração essencialàperseverança. Paulo

considerava a vida cristã neste mundo uma luta

interminável contra os poderes “deste mundo

de trevas, os espíritos do mal que estão nos céus”

(Ef 6,12; cf. 2Cor 2,11; ver Autoridades e poderes).

Ele achava que a perseguição e a oposição

a seu ministério (ver Adversários) eram manifestações

dessa hostilidade e pedia orações para

combatê-la (Rm 15,30; 2Cor 1,8-11). Ele estava

convencido de que os fiéis precisavam da

armadura sobrenatural de Deus para resistir à

tentação e “enfrentar as manobras do diabo”.

Assim, ele exortava: “Que o Espírito suscite a

vossa oração sob todas as suas formas, vossos

pedidos, em todas as circunstâncias; empregai as

vossas vigílias em uma infatigável intercessão

por todos os santos” (Ef 6,18). Entretanto, Paulo

não acreditava que a perseverança (ver Apostasia,

apostatar, perseverança) dependesse, em última

instância, da capacidade humana: Suas orações

expressavam a certeza de que Deus “vos

confirmará até o fim, para que sejais irrepreensíveis

no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo”

(ICor 1,8). Ele rezava para os filipenses, pois

tinha a “convicção” de que Deus “que começou

em vós uma obra excelente prosseguirá em

sua conclusão até o dia de Jesus Cristo” (F11,6;

cf. 1,9). Mas, conhecendo a inclinação humana

para “discórdia, ciúme, violências, rivalidades,

maledicências, mexericos, insolência, agitações”,

dizia aos coríntios: “Receio que, à minha

próxima passagem, o meu Deus me humilhe

diante de vós e eu tenha de chorar por muitos

daqueles que pecaram anteriormente e não

se converteram de sua impureza, de seu desregramento

e de sua devassidão” (2Cor 12,20-21).

Ele os exortava a fazer “autocrítica” e dizia:

“Rogamos a Deus que não façais nenhum mal”

(2Cor 13,5.7).

4.7. Os convertidos como oferenda ao Cristo

por ocasião de sua vinda. O apóstolo considerava

a missão* gentia toda um ato de culto e esperava

apresentar seus convertidos como “uma

oferenda que, santificada pelo Espírito Santo,

seja agradável a Deus” (Rm 15,16). “Qual”, ele

perguntava aos tessalonicenses, “é a nossa esperança,

nossa alegria, o orgulho que será nossa

coroa diante de nosso Senhor Jesus, por ocasião

de sua vinda, senão vós? Sim, vós sois nossa

glória e nossa alegria” (lTs 2,19-20).

Em suas cartas, Paulo liga esse tema à oração

de três maneiras:

1) A firme fidelidade de seus convertidos

resulta em louvor a Deus: “Que ação de graças

poderíamos render a Deus a vosso respeito, por

toda a alegria que experimentamos por causa

de vós diante de nosso Deus?” (lTs 3,9).

ORAÇÃO

ORAÇÃO

2) A necessidade que eles têm de crescimento

espiritual motiva a súplica de que ele possa visitá-

los quando ele roga “dia e noite... com insistência,

para que nos seja dado rever-vos e completar

o que falta à vossa fé” (lTs 3,10).

3) Sua constante preocupação com a situação

deles na parusia (ver Escatologia) motiva

muitas de suas orações intercessoras e votivas:

“Que o Senhor faça crescer e abundar o amor

que tendes uns para com os outros e para com

todos, à imagem de nosso amor para convosco.

Que ele fortaleça assim vossos corações numa

santidade irrepreensível diante de Deus, nosso

Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus

com todos os seus santos” (lTs 3,12-13).

Paulo queria que seus convertidos esperassem

ansiosamente “a revelação de nosso Senhor

Jesus Cristo” (ICor 1,7) e, dada a proximidade

da vinda de Cristo, sua preocupação pela santidade

deles era um aspecto proeminente de

muitos dos relatos de oração intercessora.

4.8. O Espírito de adoção. O entendimento

paulino da oração cristã enfatiza mais o relacionamento

do fiel com Deus e seu acesso pessoal

a ele. Esse privilégio é aspecto da “adoção” do

cristão como filho de Deus (ver Adoção, filiação)

e se baseia unicamente na obra acabada

de Cristo: “Em Cristo, portanto, nós temos,

pela fé nele, a liberdade de nos aproximar com

toda a confiança” (Ef 3,12). Essa oportunidade

transcende raça e cultura. Por meio de Cristo,

judeu e gentio têm “acesso ao Pai” (Ef 2,18).

O apóstolo diz: “Deus enviou aos nossos corações

o Espírito do seu Filho, que clama: Abbá,

Pai!” (G1 4,6; cf. Rm 8,15), e ele relaciona o

“Espírito de adoção” com a capacidade do fiel

de rezar como Jesus rezou (cf. Mc 14,36). Para

Paulo, a oração origina-se no Espírito Santo

que habita o fiel e lhe dá a certeza da adoção.

Os que levam a oração a sério procuram a santidade

e lutam para evitar o pecado que “extingue”

ou “contrista” o Espírito (lTs 5,19; Ef

4,30). Em Romanos 12,1-2, ele liga 1) a santidade,

2) o serviço a Deus e 3) a inconformidade

ao padrão (pecaminoso) do mundo, com a renovação

da mente — o que subentende claramente

que a obediência cristã facilita o discernimento

(autocrítica e aprovação) da vontade de Deus

(cf. Jo 14,21).

4.9. Oração e a vontade de Deus. Para Paulo,

a “luta” da oração não era tentativa de forçar

Deus a mudar sua vontade. Rezar conforme a

vontade de Deus era essencial para Paulo, porque

ele entendia toda atividade do mundo em

termos de bem e mal. Pela oração, o fiel declara

que Deus e seu mundo estão em constante conflito.

A oração é, “em essência, rebeldia-rebeldia

contra o mundo e sua queda, a recusa absoluta

e perene de aceitar como normal o que é universalmente

anormal. [A oração é]... a recusa de

toda programação, todo esquema, toda interpretação

que esteja em desacordo com a norma originalmente

estabelecida por Deus” (Wells, 124).

Assim, a oração é verdadeiramente uma luta.

Mas Paulo não imaginava uma luta com Deus

para curvar sua vontade aos desejos pessoais ou

às necessidades dos outros. A oração era, antes,

parte da luta do fiel para discernir, afirmar e

participar da realização da vontade de Deus contra

a influência universal do poder do mal (ver

Amold, 1989, e 1992,148-159). O compromisso

de viver e também de rezar conforme a vontade

de Deus constituía a essência daquilo que

Paulo queria dizer quando conclamava os leitores

a rezar “em nome de nosso Senhor Jesus

Cristo” (Ef 5,20). Os fiéis eram exortados não

apenas a rezar, mas a erguer para o céu mãos

“santas” (lTm 2,8). Por causa da alta consideração

do apóstolo pela soberania de Deus, ele não

imaginou que as respostas à oração humana pudessem

alguma vez ser contrárias à vontade de

Deus. Ele disse aos romanos que pedia “continuamente,

nas minhas orações, que eu tenha enfim,

por sua vontade, a oportunidade de ir ter

convosco” (Rm 1,10), e mais tarde exortou-os a

rezar: “Assim eu poderei chegar até vós na alegria,

pela vontade de Deus, e tomar algum descanso

convosco” (Rm 15,32).

A prioridade da vontade de Deus era ressaltada

para o apóstolo pela realidade de oração

importuna, persistente, mas não respondida em

sua vida: “Três vezes roguei ao Senhor”, diz ele

em 2 Coríntios 12,7-10, que “um espinho [que]

foi posto na minha carne, um anjo de Satanás

encarregado de me bater” fosse afastado. Por

esse tipo de experiência, ele veio a entender que

1) adversidade, sofrimento, insultos e perseguição

eram oportunidades para o poder de Deus

H ORAÇÃO

tomar-se “perfeito” ou completamente manifesto,

por meio da fraqueza humana. Além disso,

2) sofrer na vontade de Deus produz perseverança,

caráter e esperança que não engana

(Rm 5,3-5). E, finalmente, 3) o sofrimento e

“nossas tribulações de um momento são leves

com relação ao peso extraordinário da glória

eterna” (2Cor 4,17; cf. Rm 8,18). Assim, ele

exortava à “paciência” enquanto os cristãos esperavam

e rogavam pela realização final da

“adoção (huiothesia), a libertação para o nosso

corpo” (Rm 8,23).

O apóstolo reconhecia a seriedade do sofrimento

em um mundo caído e, em Romanos

8,23, reconhecia que os fiéis gemiam “interiormente”

por causa dele. Ele exortava a Igreja:

“Carregai os fardos uns dos outros” (G1 6,2),

expressão muitas vezes explicada popularmente

com apelo ao Salmo 55,22, que exorta à intercessão.

Mas é provável que devamos dar mais

ênfase ao aspecto de mútua preocupação em

Cristo, expressa no ato de carregar fardos como

as tentações dos outros (cf. G16,1 ). A famosa invocação

paulina em 2 Coríntios 1,3-4, que descreve

Deus como “Pai das misericórdias e o Deus

de toda consolação, ele nos consola em todas as

nossas tribulações, para nos tomar capazes de

consolar todos os que estão na tribulação”, parece

apoiar isso. Contudo, a intercessão é importante

na análise do sofrimento* pelo apóstolo.

4.10. A intercessão do Espírito. Em Romanos

8,26-27, Paulo revela que “o Espírito vem

em socorro da nossa fraqueza*, pois nós não

sabemos rezar como convém', mas o próprio

Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis,

e Aquele que perscruta os corações

sabe qual é a intenção do Espírito: com efeito,

é segundo Deus que o Espírito intercede pelos

santos” (destaque meu). O ponto central aqui, a

saber, a certeza de que a oração oferecida pelo

Espírito está de acordo com a vontade de Deus,

está corretamente enfatizada na tradução da TEB

acima. Ao traduzir to gar ti proseuchõmetha

apenas por “rezar”, muitas versões da Bíblia concentram-

se na técnica, nos métodos ou procedimentos

da oração. Para Paulo, a questão primordial

é pedir conforme a vontade de Deus (cf. 1 Jo

5,14-15; ver um exame das questões exegéticas

em Cranfield 1,421-423).

A intercessão do Espírito do íntimo dos fiéis

na Terra compara-se à constante intercessão

pelos fiéis da parte do próprio Cristo nos céus*

(Rm 8,34). A expressão “gemidos inexprimíveis”,

em Romanos 8,26, é muitas vezes entendida

como alusão ao dom dos fiéis de falar em

línguas* durante a oração em circunstâncias difíceis.

Mas parece melhor considerar stenagmois

(“com suspiros, gemidos”) uma atividade de oração

do Espírito, que discerne as necessidades

mais profundas do fiel e as comunica de maneira

singular diretamente a Deus (ver Cranfield

1,423-425; cf. Kãsemann 239-241).

Se isso está correto, então a referência paulina

a rezar “no Espírito” (Ef 6,18) provavelmente

também não deve ser interpretada como referência

a línguas: uma “linguagem de oração”

inspirada no Espírito (assim Peterson, 98; cf.

Barrett, 319-320). Rezar “no Espírito” significa

“orar naquela consciência de Deus que o Espírito

traz, ser capaz de aproximar-se dele com

certeza confiante como um filho se aproxima

do pai” (Mitton, 228). Como diz A. T. Lincoln,

em Efésios 6,18 “o autor invoca a oração inspirada,

guiada e tomada eficaz por meio do

Espírito” (Lincoln, 452).

4.11.0 enfoque da oração paulina: eterno,

não temporal. 1 Timóteo 2,2 exorta à oração

para a estabilidade política “para que possamos

levar vidas pacíficas e tranqüilas” em um ambiente

que promova o progresso do Evangelho.

E o apóstolo dá instruções a respeito da oração

que toca em questões práticas como o culto

(ICor 11,5; 14,13-17) e dar graças às refeições

(Rm 14,6; ICor 10,30; 11,24; lTm 3,3-5). Mas é

notável que nos relatos que constituem nossa

maior vitrine dos padrões paulinos de oração não

vejamos praticamente nenhuma súplica para

muitas coisas práticas como o pão de cada dia,

saúde ou cura, melhores condições econômicas

etc. Isso é óbvio especialmente nos dois longos

períodos de oração intercessora de Efésios 1,15-

23 e 3,14-21.

As prioridades do apóstolo ficam em primeiro

plano quando ele incentiva os coríntios a

fixar os olhos não no “que se vê”, mas sim no

“que não se vê; o que se vê é provisório, mas o

que não se vê é eterno” (2Cor 4,18). Isso é de

suma importância quando ele reza. Por isso sua

ORAÇÃO I

o r a ç ã o p ä ! Ä

intercessão inicial pede maior conhecimento de

Deus, esclarecimento espiritual, melhor entendimento

do que significa estar “em Cristo” e a

certeza do “poder incomparavelmente grande”

de Deus. Este último tema volta a ser enfatizado

em Efésios 3, em que o poder de Deus é, primeiro,

ligado ao fortalecimento dos fiéis, para que

“faça habitar Cristo em vossos corações pela fé”

(Ef 3,17) e, segundo, à total compreensão do

amor de Cristo que sobrepuja o conhecimento.

Seu objetivo último é que seus convertidos imitem

Cristo e sejam “cumulados” até receberem “toda

a plenitude de Deus” (cf. Ef 1,19 com Cl 1,19).

Essa ênfase no bem-estar espiritual encontra-se

em todas as cartas paulinas. O missionário-pastor

não é nem ascético nem indiferente à importância

dos assuntos práticos da vida cotidiana.

Mas, em termos que recordam as palavras de

Jesus, ele exorta os fiéis a viverem (e rezarem)

de uma forma que dê prioridade aos valores da

vida presente e futura: “O exercício corporal é

de escassa utilidade, ao passo que a piedade é útil

para tudo. Não possui ela a promessa da vida,

tanto da vida presente como da futura?” (lTm

4,8; ver Carson, 1992; veja as questões exegéticas

em Lincoln, 1990, 196-221).

A intercessão do apóstolo em Efésios conclui

com uma doxologia (Ef 3,20-21) que resume

bem a certeza que Paulo tem da eficácia de

toda oração oferecida no Espírito segundo a vontade

de Deus: “Aquele que pode, por seu poder

que age em nós, fazer além, infinitamente além

do que nós podemos pedir e conceber, a ele a

glória na Igreja e em Jesus Cristo, por todas as

gerações, nos séculos dos séculos. Amém”.

Ver também B ê n ç ã o , in v o c a ç ã o , d o x o l o g

ia , a ç ã o d e g r a ç a s ; E spír it o S a n t o ; In t e r c e s s

ã o ; E l e m e n t o s l it ú r g ic o s; M is t ic is m o ; E spir it

u a l id a d e ; L ín g u a s ; V is õ e s , e x p e r iê n c ia e x t á t

ic a ; C u l t o , a d o r a ç ã o .

b i b l i o g r a f i a : C. E. Amold. Ephesians: Power

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W. B. H u n t e r

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