FILHO DE DEUS - TEOLOGIA PAULINA

 

Filho de Deus

 
A filiação divina de Jesus é componente essencial
da cristologia* paulina, embora nas cartas
paulinas as referências a Jesus como “Filho”
de Deus (17 vezes em todo o corpus paulino
tradicional e apenas quatro casos do título
completo “Filho de Deus”) sejam em número
consideravelmente menor que as muitas designações
paulinas de Jesus como “Senhor”*
e “Cristo”*. Há quem alegue que a idéia da
filiação divina de Jesus foi uma apropriação
das tradições religiosas pagãs e que Paulo, por
meio dela, apresentou Jesus à maneira das divindades
dos cultos greco-romanos (ver Religiões
greco-romanas), mas os indícios concernentes
ao pano de fundo religioso pagão e ao
uso paulino da linguagem do “Filho” divino
desmentem isso.
Paulo não empregou a linguagem da filiação
divina primordialmente para afirmar que Jesus
era divino. Em essência, as referências paulinas
a Jesus como “Filho” de Deus comunicam o
status único e o relacionamento íntimo de Jesus
com Deus*. Mas os contextos dessas referências
apresentam diversas gradações adicionais e mais
específicas do termo. Em algumas passagens,
Paulo apresenta Jesus como Filho regiamente
entronizado e, para isso, recorre a tradições veterotestamentárias
do rei davídico como “Filho”
de Deus (e.g., SI 2,6-7; ver Exaltação e entronização).
Em outras, Paulo parece aludir à oferenda
de Isaac (Gn 22) para representar a morte
de Jesus como o ato supremo de amor redentor
(e.g. Rm 8,32). Paulo também apresenta o Filho
de Deus como o que foi enviado para propiciar
a posição com Deus que a Torá foi incapaz de
propiciar. E Paulo também descreve a filiação
divina de Jesus como padrão e base da emancipação
dos cristãos como “filhos de Deus”.
 
1. Antecedentes
2. Jesus
3. A filiação divina de Jesus fora de Paulo
4. O modo como Paulo emprega a expressão
 
1. Antecedentes
1.1. Pagãos. Os estudiosos mais antigos da história
das religiões, representados por Bousset,
acreditavam que as referências paulinas ao “Filho
de Deus” destinavam-se a descrever Jesus
como um ser divino à maneira de tradições pagãs
supostamente proeminentes a respeito de
filhos de deuses com os quais os gentios convertidos
por Paulo estavam familiarizados (Bousset,
206-210). Embora outros (e.g., Schoeps)
repetissem esse ponto de vista, ele não é persuasivo
à luz do corpo principal da análise erudita,
que como um todo confirma o débito conceituai
fundamental de Paulo a sua tradição judaica
e seu desdém pela religião pagã (e.g., Blank,
Hengel, Kim).
Além disso, a idéia de Bousset de que para
comunicar sua mensagem entre seus convertidos
gentios Paulo erroneamente apropriou-se
de tradições pagãs que produziram uma cristo
logia fundamentalmente nova não resiste a uma
leitura cuidadosa daquilo que Paulo diz a respeito
de Jesus nem às provas relevantes da religião
pagã greco-romana. Como Nock (1972)
e Hengel (21-41) mostraram, é difícil encontrar
paralelos greco-romanos verdadeiros que justificassem
a visão paulina de Jesus como “Filho”
(de Deus) ou a tomassem mais inteligível para
os gentios convertidos por Paulo. O gênero humano
poderia ser chamado de descendência de
Zeus ou outros deuses, mas essa generalização
parece irrelevante para a importância especial
que Paulo atribuiu a Jesus como Filho único
de Deus. Um grande homem (e.g., Alexandre
Magno) poderia ser intitulado filho de um deus,
mas esse parece ter sido essencialmente um
gesto honorífico em reconhecimento de alguma
qualidade no homem, como sabedoria ou bravura
militar, e não está claro se o homem assim
designado era realmente considerado outra coisa
além de um ser humano excepcionalmente
admirável. De fato, a designação “filho de
Deus” não era comum no paganismo grecoromano
e parece ter sido usada como título só
por imperadores romanos (latim divi filius, traduzido
em grego como theou huios). As divindades
dos chamados “cultos de mistério”, por
exemplo, às quais a escola primitiva da história
das religiões dava tanta importância, não eram
apresentadas como “filho de deus”. Qualquer
influência da devoção ao imperador romano
na cristologia primitiva foi provavelmente muito
posterior a Paulo e envolveu o afastamento
cristão do que era considerado profano em vez
de algo apropriado (e.g., Cuss). A opinião de
Nock a respeito do uso paulino de “Filho de Deus”
ainda é válida: “...as tentativas feitas para explicá-
lo como proveniente do mundo helenístico
maior fracassam” (Nock, 1964, 45).
1.2. Judaicos. Conseqüentemente, muitos
estudiosos voltaram-se para as fontes judaicas
como antecedente mais diretamente relevante
para as referências paulinas à filiação divina
de Jesus. Na Bíblia paulina, o AT, a linguagem
de filiação divina é usada com três tipos de referentes.
Em passagens que provavelmente
refletem um uso mais antigo, os anjos são designados
como “filhos de Deus” (e.g., Gn 6,2^4;
Dt 32,8; SI 29,1; 89,6). Embora em alguns casos
na LXX a frase hebraica ou aramaica “filho(s)
de Deus” seja traduzida em grego como “anjo(s)
de Deus” (e.g., Dt 32,8; Jó 1,6; 2,1; Dn 3,25),
isso não é feito de forma consistente (cf. Dt
32,43 LXX), o que mostra que os seres celestes
ainda podiam ser designados como “filhos de
Deus” entre os judeus de língua grega do período
greco-romano.
Em algumas passagens veterotestamentárias,
o rei davídico é designado como “filho” de
Deus (2Sm 7,14; SI 2,7; 89,26-27). O Salmo 2,7
refere-se ao rei que Deus gerou, mas parece que
essa linguagem poética era um modo de afirmar
sua legitimação divina, com sua entronização
considerada uma espécie de adoção divina.
No tempo de Paulo, as tradições davídicas
régias resultaram em esperanças messiânicas judaicas.
Entretanto, não há nenhum indício claro
de que a expressão “filho de Deus” fosse título
messiânico e é difícil dizer qual a amplitude do
conceito de filiação divina como parte da expectativa
messiânica. O documento conhecido como
2 Esdras ou 4 Esdras tem diversas referências
a um “filho” messiânico de Deus nas versões
preservadas desse escrito (e.g., latim filius
em 7,28; 13,32.37.52; 14,9), mas agora é comumente
aceito que essas são todas traduções cristãs
do termo grego pais (“servo”), que, por sua
vez, talvez traduzisse o termo hebraico equivalente
‘ebed. Do mesmo modo, 2 Baruc 70,9
refere-se a “meu Servo, o Ungido”.
O texto de Qumran* 4Q174 (4QFlorilégio)
contém um comentário a respeito de 2 Samuel
7,11-14, em que Deus promete fazer o descendente
davídico “filho”, e o comentário aplica a
passagem ao messias régio. Desde as primeiras
notícias de sua existência em 1972, o documento
de Qumran 4Q246 tem recebido muita
atenção porque se refere a um rei que será aclamado
com os títulos “filho de Deus” e “filho
do Altíssimo”, os mesmos títulos dados a Jesus
em Lucas 1,32-35 (ver, e.g., Fitzmyer, 90-94).
Devido à natureza fragmentária do documento,
é difícil ter certeza, mas o caráter escatológico
faz que seja possível que este documento apresente
outros indícios de que a atribuição da
filiação divina, mesmo o uso do título “filho
de Deus”, fazia parte do messianismo de pelo
menos alguns judeus.
Uma das maneiras pela qual Fílon se refere
ao Logos é como “filho primogênito” de Deus
(e.g., Fílon, Som. 1,215; Conf. Ling. 146), mas
parece não haver nenhuma ligação direta entre
esse uso e o que Paulo faz do termo para Jesus.
Ao contrário, Fílon revela a apropriação independente
de uma designação veterotestamentária
do rei (SI 89,27) e de Israel (Ex 4,22) que,
entretanto, ilustra como metáforas e conceitos
bíblicos adaptavam-se a crenças religiosas mais
tardias, o que parece ser o caso também no NT.
De fato, as aplicações mais comuns do conceito
de filiação divina em textos judaicos antigos
são com referência ao indivíduo justo, aos
judeus justos coletivamente e a Israel como povo
escolhido de Deus. Em algumas passagens veterotestamentárias,
os israelitas são chamados
“filhos” de Deus (Dt 14,1; Is 1,2; Jr 3,22; Os
1,10) e, coletivamente, “primogênito” (Ex 4,22)
e “filho” de Deus (Os 11,1). E essas aplicações
são freqüentes em textos judaicos deuterocanônicos
e extracanônicos (Sb 2,18; 5,5; Sr 4,10;
SISal 13,9; 18,4.13 — Israel). Do mesmo modo,
em José e Asenat, os israelitas justos são chamados
“filhos” do “Deus vivo” ou do “Altíssimo”
(José&As. 16,14; 19,8) e José (que parece
ser representação idealizada do justo judeu de
Israel) é aclamado diversas vezes como “filho”
e “filho primogênito” de Deus (José&As. 6,35;
13,13; 18,11; 21,4; 23,10).
Vermes (206-211) cita textos rabínicos nos
quais os homens santos judeus são designados
como “filho” de Deus no sentido de serem especialmente
favorecidos por Deus. Com a devida
cautela quanto a usar esses textos tardios para
ilustrar a religião judaica do século I, podemos
tomar as figuras rabínicas que Vermes cita como
exemplos da aplicação a determinados indivíduos
justos da categoria de filiação divina conforme
afirmada em Sabedoria de Salomão e
Sirâcida mencionados acima.
2. Jesus
É amplamente aceito entre os estudiosos que
Jesus falava de Deus como “Pai” (aramaico
‘abbã’) de uma forma que expressava familiaridade
e intimidade incomuns e que ele se comportava
de um jeito que refletia um senso profundo
de condição e responsabilidade diante de
Deus. É, portanto, razoável considerar se esses
aspectos do ministério de Jesus influenciaram
ou não a visão de Jesus como Filho de Deus em
Paulo e no cristianismo primitivo. Para o propósito
deste artigo só podemos fazer algumas
observações relevantes.
Primeiro, parece provável que a linguagem
e a prática religiosas de Jesus tenham sido de
intenso interesse e relevância para seus seguidores,
durante o ministério de Jesus e, em especial,
também nos primeiros anos que se seguiram,
graças à convicção de que ele ressuscitara. Segundo,
a preservação paulina do termo aramaico
abba em suas Igrejas de língua grega e seu
uso dele em contextos que mencionavam a filiação
divina de Jesus (Rm 8,15; G1 4,6, as referências
mais antigas ao termo) são, provavelmente,
mais bem justificados como indicações
de que as tradições a respeito do relacionamento
de Jesus com Deus eram conhecidas e foram, de
fato, influentes na formação da visão cristã primitiva
dele como Filho de Deus.
A cristologia primitiva era naturalmente
incentivada pela convicção de que o Jesus crucificado
fora ressuscitado e elevado à glória
celeste. Mas também é provável que as tradições
que se originam do ministério de Jesus
encorajassem em especial a identificação dele
como “Filho” de Deus, embora o sentido ligado
a essa identificação pareça ter ficado muito mais
elevado à luz de sua ressurreição e sua glorificação
celeste do que jamais foi explícito ou
mesmo possível no ministério de Jesus.
3. A filiação divina de Jesus fora de Paulo
3.1. Tradição pré-paulina. Alguns estudiosos
afirmam que as referências paulinas à filiação
divina de Jesus mostram sinais de crença “prépaulina”
em Jesus como “Filho” de Deus, em
especial Romanos 1,1-4,1 Tessalonicenses 1,10,
Gálatas 4,4-6 e Romanos 8,3. Entretanto, é enganoso
falar de uma “fórmula” cristológica do
Filho divinamente enviado em Paulo, que alguns
supõem estar em Romanos 8,3 e Gálatas 4,4.
Essas duas referências paulinas usam verbos
gregos diferentes e têm em comum apenas o
conceito do Filho ser divinamente enviado por
Deus, um jeito bastante óbvio de referir-se a uma
figura que opera segundo um mandato divino.
Quanto a Romanos 1,3-4, Hengel (59) e
Scott (236) observaram que as tentativas de reconstruir
o verdadeiro fraseado de uma declaração
de fé pré-paulina (ver Credo) a partir de
Romanos 1,3-4 resultaram em hipóteses impossíveis
de confirmar (e divergentes). Contudo, é
bem possível que a passagem preserve convicções
pré-paulinas fundamentais a respeito de
Jesus como herdeiro davídico por descendência
física (kata sarka) agora “estabelecido [horisthentos]...
Filho de Deus com poder [en dynamei]"
por sua Ressurreição [ex anastaseõs]. Do
mesmo modo, 1 Tessalonicenses 1,9-10, que se
refere a Jesus como Filho de Deus que foi ressuscitado
para o céu e que está vindo para nos
livrar da ira escatológica, é amplamente considerado
indício de cristologia “pré-paulina” do
Filho divino. No entanto, se essas passagens preservam
realmente a tradição “pré-paulina”, a
apropriação paulina das tradições mostra que ele
não via nenhuma descontinuidade essencial entre
sua visão de Jesus e a de seus predecessores
e das Igrejas judeu-cristãs como a de Jerusalém.
3.2. Depois de Paulo. A filiação divina de
Jesus tem importância considerável nos evangelhos
sinóticos, que foram escritos depois das
cartas paulinas, e tem diferentes conotações em
cada um dos evangelistas. Em Mateus, embora
raramente mencionada, a filiação divina de
Jesus tem conotação e ligação messiânica bastante
fortes (e.g., Mt 16,16), e os discípulos o
aclamam como Filho de Deus (e.g., Mt 14,33).
Uma conotação messiânica à filiação divina
semelhante a essa aparece em Lucas (e.g., Lc
1,32-35). Entretanto, em Marcos a afirmação
liga-se estreitamente ao sigilo da verdadeira
identidade (transcendente) de Jesus e (com a
irônica exceção de Mc 15,39) somente Deus
(Mc 1,11; 9,7) e os demônios (e.g., Mc 3,11;
5,7) reconhecem a filiação divina de Jesus.
A filiação divina de Jesus é importante também
em Hebreus, onde sua condição de Filho
coloca-o acima dos profetas (Hb 1,1-2) e também
dos anjos (Hb 1,3-14; 2,5). Na verdade, em
Hebreus 1,2 o Filho é “herdeiro de tudo”, o que
dá importância em escala cósmica a sua filiação.
Entretanto, é em João que a filiação divina
de Jesus tem conotação transcendente expressa
com clareza e ênfase que nenhum outro escrito
neotestamentário iguala. Da confissão do Batista
(Jo 1,34) à culminante declaração de propósito
em João 20,31, o quarto evangelista enfatiza
que Jesus deve ser reconhecido como
Filho de Deus. E ele deixa explícito que o Filho
é de origem celeste (e.g., Jo 1,14; 17,1-5). Em
João, a afirmação de que Jesus é Filho de Deus
resulta em reivindicação à divindade, conforme
esclarecem as acusações de blasfêmia por parte
de personagens judias da narrativa (Jo 5,18;
10,36; 19,7).
Essa ênfase joanina floresceu subseqüentemente
na fé do cristianismo, pois “Filho de
Deus” tomou-se o jeito predileto de se referir
a Jesus como divino e foi usado para diferenciar
a divindade de Jesus de sua natureza humana,
conforme já visto em Inácio (Ef. 20,2).
Como Dunn observou, nenhuma outra expressão
cristológica “tem a profundidade histórica
e o poder duradouro de ‘Filho de Deus’”
(Dunn, 12), mas precisamos ser cautelosos para
determinar as conotações paulinas nas referências
a Jesus como Filho de Deus sem lhes atribuir
por inferência a maneira como o termo
foi usado pelos cristãos mais tardios.
4. O modo como Paulo emprega a expressão
Nos 13 escritos atribuídos a Paulo no NT, o título
“o Filho de Deus” não é nem rígido, nem
freqüentemente empregado, pois aparece apenas
quatro vezes e em ordem variada de palavras
gregas (Rm 1,4; 2Cor 1,19; G1 2,20; Ef 4,13).
Nas 13 referências restantes à filiação divina de
Jesus, encontramos “seu Filho” (Rm 1,3.9; 5,10;
8,29.32; ICor 1,9; G11,16; 4,4; 6,1; lTs 1,10),
“seu próprio Filho” (Rm 8,3), “o próprio Filho”
(ICor 15,28) e “Filho do seu amor” (Cl 1,13).
Aparentemente, o que importa a Paulo é a convicção
de que Jesus é o Filho de Deus, não tanto
o título cristológico ou fórmulas verbais rígidas
para expressar essa convicção.
Em todas as suas referências a Jesus como
Filho de Deus, Paulo usa o artigo definido, nem
sempre representado com facilidade nas traduções.
A conotação do artigo definido é que
Paulo considera a filiação divina de Jesus única
e não atribui a Jesus a participação em uma
classe de outras pessoas que possam ser consideradas
filhas de Deus, como encontramos nas
fontes judaicas ou pagãs (e.g., anjos*, os justos,
grandes homens, milagreiros; mas ver
4.5, adiante).
Como Hengel afirmou, é também importante
que Paulo se refira a Jesus como Filho de
Deus principalmente (onze vezes) em Romanos
e Gálatas (Hengel, 7). A comparativa infreqüência
e também a distribuição das referências paulinas
a Jesus como Filho de Deus sugerem que,
para Paulo, a filiação divina de Jesus não constitui
tanto a apropriação de um conceito mitológico
pagão quanto o meio decisivo para justificar
o culto* do homem Jesus entre os gentios
convertidos (contra Bousset, 208-209). Na verdade,
Paulo se refere ao Filho de Deus em termos
adaptados dos antecedentes para fazer afirmações
cristológicas ousadamente exclusivistas
de um jeito e em contextos que interagem diretamente
com assuntos judaicos tradicionais. Esses
assuntos incluíam a Torá (ver Lei), a importância
singular de Israel*, esperanças messiânicas
e a perspectiva fundamentalmente monoteísta
que Paulo continuou a partilhar e promover em
suas Igrejas (ver Deus).
A estrutura inteira da cristologia paulina
deixa claro que para Paulo Jesus participa dos
atributos e papéis de Deus, partilhando a glória*
divina e, o que é mais importante, sendo
digno de receber veneração formal juntamente
com Deus em assembléias cristãs (ver Culto).
Assim, podemos dizer que aquele que Paulo
chama de “Filho de Deus” é por ele considerado
divino de uma forma singular. Mas nem nos
antecedentes judaicos de Paulo, nem em seu
uso (ao contrário do de João), a linguagem da
filiàção divina atribui por si só divindade. Na
tradição judaica paulina, chamar uma figura
humana de “Filho” de Deus significa primordialmente
atribuir-lhe situação, posição e favor
especiais permanentes em relação a Deus. As
referências paulinas a Jesus como o “Filho” de
Deus significam que Jesus goza de situação,
posição e favor especiais em relação a Deus.
A fim de determinar especificamente o que
a filiação de Jesus significa para Paulo, precisamos
examinar mais de perto as referências em
questão. Vamos nos concentrar em referências
nas cartas que têm a autoria paulina quase universalmente
aceita (embora Cl 1,13 e Ef 4,13
ajustem-se de fato às categorias estabelecidas
nas cartas incontestadas). Vamos prestar atenção
aos contextos para tentar estabelecer o sentido
paulino.
4.1. O Evangelho e o Filho. Em Romanos
I,9, Paulo refere-se ao “Evangelho* de seu Filho
[de Deus]”, frase incomum em Paulo (além
das numerosas referências ao “Evangelho”, cf.
“o Evangelho de Deus”, Rm 1,1; 15,16; 2Cor
II,7; lTs 2,2.8.9; e “Evangelho de Cristo”, Rm
15,19; ICor 9,12; 2Cor 2,12; 10,14; G1 1,7; F1
1,27; lTs 3,2). Parece que a frase está ligada às
referências próximas a Jesus como Filho de Deus
(Rm 1,2-4) e com o debate maior em Romanos
no qual a filiação divina de Jesus é mencionada
algumas vezes (sete dos dezessete casos no corpus
paulino tradicional; cf. 2Cor 4,4, onde a
frase singular o “Evangelho da glória do Cristo”
parece estar ligada similarmente com a análise
textual da glória divina de Cristo em 2Cor 3,124,6).
Mas, embora único aqui em Paulo, “o
Evangelho de seu Filho” mostra que Paulo fala
que sua mensagem e seu ministério* tratam
da filiação divina de Jesus. E a proeminência
dada à filiação de Jesus em Romanos e Gálatas
sugere também que a identificação de Jesus
como Filho de Deus é mais importante para
Paulo do que à primeira vista se supõe, em especial
na descrição da importância redentora de
Jesus em contextos teocêntricos e em face
de temas religiosos judaicos.
A descrição paulina em Gálatas 1,15-16 da
experiência que o transformou de adversário em
apóstolo* de Jesus salienta essa sugestão: Deus
“houve por bem revelar em mim [en emoi] o
seu Filho” (G11,16). Sem dúvida, alhures Paulo
se refere a ter visto “Jesus, nosso Senhor” (1 Cor
9,1) e se inclui em uma lista daqueles a quem
“Cristo” apareceu (ICor 15,1-8). Mas Gálatas
1,15-16 indica que a experiência em questão inclui
a percepção de que Jesus é o Filho único de
Deus (ton huion autoü) e que seu chamado foi
para anunciar o Filho de Deus (G11,16) especificamente
entre os gentios*. Com certeza Paulo
já ouviu afirmações judeu-cristãs a respeito de
Jesus que ele provavelmente considera glorificação
repugnante de um falso profeta e que faz
parte do motivo de zelosamente se opor aos
judeu-cristãos em nome da tradição judaica
(G1 1,13-14). Na antiga tradição judaica, aclamar
como filho de Deus uma figura desprezada
era concordar com a legitimação divina e a justiça
dessa figura (e.g., Sb 2,12-20; 5,18). Portanto, é
possível presumir que a referência paulina à revelação
de que Jesus é o Filho de Deus (ton huion
autou) significa que a experiência inclui para
Paulo uma inversão direta de sua visão de Jesus,
de falso profeta para representante único de Deus.
4.2. O Filho régio. Em diversas passagens,
Paulo retrata Jesus em posição e papel régios,
recorrendo a tradições davídicas veterotestamentárias
e aplicando-as a Jesus como “Filho”
de Deus régio e messiânico. Já mencionamos
duas dessas passagens como possíveis indícios
de cristologia “pré-paulina”. Em Romanos 1,34
há ecos de 2 Samuel 7,12-14. Como “descendência
[sperma]” de David, Jesus foi ressuscitado
[anastasis] “dentre os mortos” por Deus
(cf. a LXX de 2Sm 7,12: “Eu ressuscitarei
[anastõse] tua semente [tou sperma 5 0 «]”). E
o estabelecimento de Jesus com poder como
Filho divino em Romanos 1,4 talvez ecoe a
promessa de Deus em 2 Samuel 7,14: “Eu serei
para ele um pai, e ele será para mim um filho”.
Talvez também tenhamos aqui uma alusão ao
Salmo 2,7, em que Deus anuncia que “gerou”
0 rei como seu Filho (descrição simbólica da
entronização do rei). E a referência de Paulo a
sua missão* “a fim de conduzir à obediência da
fé... todos os povos gentios [ethnesin]” (Rm 1,5)
talvez aluda à promessa de Deus ao “Filho”
régio no Salmo 2,8 para dar “em patrimônio
as nações [ethné]”.
Como em Romanos 1,4, em 1 Tessalonicenses
1,9-10, a filiação de Jesus é mencionada em
ligação com 0 fato de Deus tê-lo ressuscitado
[êgeire] dos mortos. Embora aqui não tenhamos
alusões a passagens davídicas veterotestamentárias,
mesmo assim, como o Filho divino que livra
da ira escatológica (divina) (lTs 1,10), Jesus
recebe um papel messiânico que se compara a
expectativas messiânicas em Qumran e em documentos
como Salmos de Salomão 17-18. Esse
caráter escatológico, mais o contraste entre “ídolos”
pagãos e “o Deus vivo e verdadeiro” (lTs
1,9) refletem fortemente a formação religiosa
judaica e dão mais indicações de que aqui o
“Filho” divino que age em nome de Deus é,
como em Romanos 1,3-4, o representante messiânico
de Deus.
Outra referência ao Filho de Deus com caráter
régio e messiânico encontra-se em 1 Coríntios
15,24-28. Sobejam as metáforas régias com
menção de uma “realeza” (ICor 15,24), a necessidade
de Cristo reinar (ICor 15,25) e o fato
de ele pôr todos os inimigos “debaixo dos seus
pés” (ICor 15,25, alusão a SI 110,1, salmo régio
de David com citações e alusões freqüentes no
NT). Depois de “tudo” (inclusive a morte, ICor
15,26) ser submetido a esse Filho régio, ele será,
então, “submetido” a Deus (ICor 15,28), pensamento
que mostra também que aqui 0 Filho não
é divindade nova e rival à moda da mitologia
pagã, mas sim opera (como o rei veterotestamentário
e as figuras messiânicas) em nome de
Deus. E, se se aceita Colossenses como paulina,
a referência em 1,13 ao “reino do Filho do seu
[de Deus] amor” alude igualmente a Jesus em
roupagem régia e messiânica.
Certamente, o alcance e a base da filiação
de Jesus nas referências paulinas estão longe de
ser as dos reis davídicos veterotestamentários.
Nas expectativas messiânicas judaicas, só encontramos
algo que se aproxima das referências
paulinas a Jesus, o Filho glorioso e celeste, no
“Eleito” de 1 Henoc (37-71), que se senta no
trono de Deus e parece estar revestido de atributos
transcendentes. E não há, em absoluto,
nenhum paralelo para a idéia de que a figura
messiânica seria ressuscitada e, assim, constituiria
o Filho de Deus que exerce poder* e autoridade
divinos. Mas nas passagens consideradas
Paulo usa temas, linguagem e metáforas da tradição
régia e messiânica judaica para expressar
essas ousadas crenças a respeito do lugar exaltado
de Jesus no plano de Deus.
4.3. O Filho sacrificado. Em pelo menos
outras três passagens, Paulo se refere a Jesus como
Filho de Deus que, explicitamente, é entregue
ou se entrega à morte* redentora. Exemplo
notável é Romanos 8,32, em que Paulo diz que
Deus “não poupou o seu próprio Filho, mas o
entregou por nós todos”. A declaração fica ainda
mais extraordinária teologicamente quando notamos
que “entregou” (paradidõmi) é o mesmo
verbo que Paulo emprega de forma grandiloqüente
três vezes em Romanos 1,24-28 para se
FILHO DE DEUS
FILHO DE DEUS
referir ao fato de Deus ter entregue a humanidade
pecaminosa ao julgamento*, fazendo da
morte de Jesus um ato tão deliberado e solene
de Deus como a cólera de Deus citada em Romanos
1. Entretanto, em Romanos 8,32, o Filho
é entregue em benefício dos seres humanos pecadores
e assegura que eles não serão condenados
e separados de Deus.
Qual é porém a importância de designar
como “Filho” de Deus o que foi entregue em
Romanos 8,32? Em Romanos 4,25, Paulo usa o
verbo paradidõmi para se referir a “Jesus, nosso
Senhor” que é entregue à morte “por nossas faltas”
e, em Romanos 8,34, logo depois da declaração
que estamos examinando, Paulo menciona
que “Jesus Cristo morreu”, o que expressa a
flexibilidade paulina em linguagem e títulos
cristológicos com referência à morte de Jesus.
A razão para a escolha de “Filho” em Romanos
8,32 parece ser que aqui Paulo deseja enfatizar
o investimento pessoal de Deus, por assim dizer,
na morte sacrifical de Jesus: é a morte do Filho
de Deus (ver Schweizer, 384).
Parece que Paulo usa uma ousada alusão bíblica
para salientar este ponto. A frase “não poupou
[ouk epheisato] o seu próprio Filho”, em Romanos
8,32, parece destinada a recordar as palavras
do anjo a Abraão: “tu que não poupaste [ouk
epheisõ] teu filho, teu único filho” (Gn 22,12.16),
igualando, desse modo, a oferenda de Jesus por
Deus à oferenda de Isaac por Abraão.
É provavelmente essa ênfase no que a morte
de Jesus representou para Deus que também justifica
a referência paulina à “morte do seu Filho”
em Romanos 5,10.0 contexto expressa a tendência
geral de Paulo a usar o título “Cristo” nas referências
à morte de Jesus (Rm 5,6.8; e cf. o mais
completo “nosso Senhor Jesus Cristo” em Rm
5,11) e, em especial, em declarações cristocêntricas
que descrevem a morte como ato de Jesus.
Mas Romanos 5,10-11 tem enfoque teocêntrico
na reconciliação* com Deus dos “inimigos” de
Deus e no júbilo voltado para Deus (Rm 5,11)
em conseqüência dessa reconciliação. O fato de
isso ter acontecido por intermédio da morte do
Filho de Deus enfatiza o quanto Deus envolveuse
diretamente para realizar essa reconciliação.
Em Gálatas 2,20, Paulo refere-se ao “Filho
de Deus que me amou e se entregou [paradidõmi]
por mim”, declaração que enfatiza o papel
ativo de Jesus em um contexto cristocêntrico maior
(G11,15-21). A variante textual “Deus e Cristo”
em lugar de “Filho de Deus”, embora apoiada
por diversos manuscritos gregos importantes, é
provavelmente deturpação do texto original. E,
assim, resta-nos tentar determinar a importância
de aqui mencionar “o Filho de Deus”, quando
em sete vezes que precedem e seguem imediatamente
Gálatas 2,20 Paulo o chama de “Jesus
Cristo” (G1 2,16) e “Cristo” (G1 2,16-19.21).
A expressão “o Filho de Deus” enfatiza o
favor e a honra muito elevados daquele de quem
são declarados o amor e a entrega de si mesmo.
E essa descrição de Jesus também faz Deus, implicitamente,
participante das ações redentoras
de Jesus, como se confirma na declaração seguinte
(G12,21), na qual Paulo se refere à “graça
de Deus” em ligação com a morte de Jesus.
Considerando que Romanos 8,32 mostra
que Paulo equipara a morte do Filho de Deus
à oferenda de Isaac, é também possível que a
referência paulina em Gálatas 2,20 à entrega
de si mesmo pelo Filho de Deus mostre familiaridade
com a tradição judaica a respeito da
narrativa. Embora o relato do Gênesis silencie
quanto à atitude de Isaac, a tradição judaica antiga
lhe atribui uma disposição ardente de se
oferecer em obediência a Deus (e.g., Pseudo-
Fílon, AntBíb 18,5; 32,2-4; 40,2; Josefo, Ant.
1,13,2-4 § 225-236).
4.4. O Filho e a Torá. Os estudiosos apontam
freqüentemente para Romanos 8,3 e Gálatas
4.4 como exemplos de uma “fórmula” cristológica
que se refere ao Filho como “enviado” por
Deus. Porém, como já indicamos, a identificação
de uma “fórmula” verbal nessas passagens é duvidosa.
É muito mais relevante que essas duas
referências ao Filho enviado estejam em contextos
que tratam da Torá, a lei* judaica. O envio do
Filho em Romanos 8,3-4 é precisamente para
superar a incapacidade da Torá de salvar, como
descrito em Romanos 7, e tomar possível a realização
do “requisito justo” da Torá na liberdade*
do Espírito* dado por meio do Filho. E Gálatas
4.4 menciona o Filho sendo enviado “para pagar
a alforria daqueles que estão sujeitos à lei”
(cujas limitações estão enfatizadas em G13,!—4,1)
e possibilitar que sejam “filhos adotivos”.
Em Romanos 8,3 e Gálatas 4,4, Paulo enfatiza
que o Filho divino apareceu em forma humana,
o que talvez aluda à idéia de Jesus ser
“encarnação” do Filho “preexistente”. Mas a
humanidade do Filho também significa que a
libertação divinamente iniciada da condenação
da Torá foi efetuada pelo Filho dentro da esfera
da existência humana, de modo específico por
sua morte.
4.5. O Filho e os filhos de Deus. Embora
consistentemente designe Jesus como o Filho
divino com expressa exclusividade, em diversas
passagens Paulo faz referências implícitas ou
explícitas à alforria dos redimidos em comunhão*
com Jesus e em um relacionamento filial
com Deus modelado na filiação de Jesus (sobre
isso ver espec. Byme). Gálatas 4,5 dá como
propósito do envio do Filho “que nos seja dado
ser filhos adotivos [huiothesia]” (ver Adoção,
filiação) e os versículos seguintes referem-se
aos cristãos como “filhos” (huioi) que receberam
“o Espírito de seu Filho”, que se unem ao
Filho para clamar “Abbá, Pai” e agora são herdeiros
de Deus. (E, como G13,27-28 deixa claro,
os “filhos” de Deus incluem homens e
mulheres em termos iguais [daí podermos traduzir
huioi como “filhos” de modo geral].)
Em Romanos 8, Paulo também liga explicitamente
Jesus, o Filho, com a filiação dos cristãos.
Depois de referir-se, em Romanos 8,3, ao
envio do Filho, Paulo menciona a concessão
do Espírito (Rm 8,5-13), explicitamente ligado
a Jesus, “o Espírito de Cristo” (Rm 8,9), e refere-
se aos cristãos como “filhos de Deus” (Rm
8,14) que clamam a Deus “Abbá, Pai” (Rm 8,15)
e são “herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo”.
E em Romanos 8,18-27, Paulo desenvolve as
conseqüências presentes e futuras da adoção
divina. Então segue-se Romanos 8,28-30, passagem
bastante teocêntrica que enfatiza a iniciativa
redentora de Deus de predestinar os que
redimiu “a serem conformes à imagem de seu
Filho, a fim de que este seja o primogênito de
uma multidão de irmãos” (Rm 8,29). Isto é, o
Filho divino único é aqui o protótipo e também
o agente por intermédio do qual outros são libertados
como filhos de Deus. A singularidade
de Jesus, o Filho, não é restritiva, mas redentora.
O termo primogênito* talvez aluda a Êxodo
4,22 e destine a Jesus um título de Israel para
sugerir que ele é a base do povo de Deus reconstituído,
que inclui judeus e gentios.
As outras referências paulinas ao Filho refletem
essa idéia de, por intermédio do Filho
único, Deus libertar outros, em uma posição
equiparada à dele. 1 Coríntios 1,9 descreve os
cristãos chamados por Deus “à comunhão
[koinõniá] com seu Filho”, o que sugere que a
posição deles depende do Filho e também partilha
sua posição filial. E é provável que 2 Coríntios
1,19-20 deva ser entendido como alusão
a algo semelhante. O “sim” divino está em Jesus,
o Filho de Deus (2Cor 1,19), porque “todas
as promessas de Deus encontraram o seu SIM
na pessoa dele” (2Cor 1,20). E isso significa que
os cristãos são libertados como pertencentes a
Deus por intermédio do Filho (2Cor 1,20b) e
recebem o Espírito como garantia de salvação*
escatológica plena (2Cor 1,22). (O “conhecimento
do Filho de Deus” em Ef 4,13 provavelmente
também é alusão à idéia de que a redenção
dos eleitos copia a filiação divina de Jesus.)
A idéia de outros filhos de Deus é interessante
à luz da forte conotação da singularidade
da filiação divina de Jesus que já mencionamos.
A resolução da tensão aparente parece ser
que Paulo se refere consistentemente à filiação
dos cristãos como filiação derivada, concedida
por intermédio do modelo de Jesus e seguindo
esse modelo, enquanto Jesus é o protótipo original,
cuja filiação não procede de outra.
Ver também A d o ç ã o , filia ç ã o ; C risto ; C r ist
o lo g ia ; M orte d e C risto ; E xaltação e e ntro nização;
P rimogênito; D eu s; E spírito Sa n to ; Im a g
e m , Im a g em d e D e u s; S e n h o r ; P r e ex ist ên c ia .
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FILHO DE DEUS
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L.W. H u r ta d o

 

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