FÉ - TEOLOGIA PAULINA

 

Dificilmente se pode negar a ênfase paulina
na fé. Paulo emprega 142 vezes o substantivo
pistis, que ocorre apenas 101 vezes em todo o
resto do NT. Ele também emprega 54 vezes o
verbo pisteuõ (“crer”) e 33 vezes o adjetivo
pis tos (“fiel”, “digno de confiança”). Está claro
que as palavras de fé tinham grande destaque
no vocabulário paulino. O. Michel mostra que
a exigência de fé era algo novo que começava
com os cristãos: “nem Qumran, nem João Batista,
nem mesmo os antigos movimentos dos
zelotes faziam qualquer exigência de fé”; em
contraste, “o cristianismo é um acontecimento
de fé singular” (Michel, in Becker & Michel,
599, 605). Mas para Paulo a confiança em
Deus era de suma importância. E significativo
ele falar que ser cristão é crer (e.g., Rm 1.16,17 
16Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; 17visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito:
O justo viverá por fé.;
1Cor 1.21
Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. ). 
Ele não se refere a uma experiência
superficial, mas a crer no coração (Rm 10.9 Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.) e
o foco da fé é Deus* que ressuscitou Jesus
Cristo* dos mortos e inaugurou o novo tempo
(ver Ljungman).
Para Paulo, a grande verdade essencial é que
Deus age em Cristo para efetuar a salvação*
dos pecadores (ver Pecado). A salvação não é
merecida nem adquirida— precisa ser recebida
como dom de graça*. Os pecadores não podem
merecer a salvação, só podem confiar em Deus
ou, como diz Paulo, ter fé em Deus (ou em
Cristo). É inconfundível característica cristã que
o verbo pisteuõ (“crer”) seja com freqüência
seguido da preposição epi (“em”) ou eis (“à”),
e Paulo segue esse uso, que revela a verdade de
que os cristãos depositam fé “em” Jesus ou são
levados “à” união com ele. Bultmann cita Romanos
10,9 para mostrar que crer no coração e
“o reconhecimento de Jesus como Senhor são
intrínsecos à fé cristã, juntamente com o reconhecimento
do milagre de sua ressurreição”
(Bultmann, TDNT, VI, 209).
A fé tem muitos aspectos. “E resposta à
revelação diferenciada da descoberta de novo
conhecimento” (Bultmann, 222). Subentende
nosso reconhecimento de que somos pecadores
e, assim, incapazes de, sozinhos, abandonar o
mal e fazer o bem. Sócrates talvez afirmasse
que o conhecimento e a virtude são praticamente
a mesma coisa, de modo que saber o que é certo
leva as pessoas a fazer o que é certo, mas Paulo
não concordaria. Para ele, fé subentende que
passamos a nos ver como pecadores e também
que passamos a reconhecer que Deus providencia
nosso perdão* por meio daquilo que a morte
de Cristo fez por nós. Fé significa unir o reconhecimento
da impossibilidade de alcançarmos
a salvação com a aceitação da verdade de que
Deus faz tudo que é necessário. A “boa nova” é
“o poder de Deus para a salvação de todo aquele
que crê” (Rm 1,16). E fé significa compromisso.
Os que crêem não só percebem seus defeitos
— comprometem-se a ser o povo de Cristo.
1. A fé e a cruz
2. Justificação
3. A fé e a lei
4. Abraão
5. Fidelidade
6. A fé e o Espírito Santo
7. A fé e a vida cristã
8. A fé e a obediência
9. A fé e a Igreja
10. A fé
 
1. A fé e a cruz
A obra salvífica de Deus é feita em Cristo. Paulo
constantemente enfatiza a centralidade da cruz*,
às vezes apenas com o emprego dessa palavra,
outras vezes com o emprego de uma imagem
para revelar a verdade. Assim, ele fala de Deus
que realiza a “redenção”* e a “propiciação” (ver
Expiação, propiciação) e imediatamente acrescenta:
“pela fé” e “por seu sangue” (Rm 3.22-25
22justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que creem; porque não há distinção, 23pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, 24sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, 25a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; ).
A última expressão deixa claro que o apóstolo
se refere à morte* reparadora do Salvador
e a primeira insiste que isso não acontece a todos
automaticamente. A fé é o caminho indicado
divinamente. Na verdade, há “um só Senhor,
uma só fé” (Ef 4,5); os dois estão unidos.
Redenção significa o pagamento de um
preço para libertar as pessoas, e não devemos
omitir a importância da liberdade* no entendimento
que Paulo tem da fé. Ele não liga expressamente
a liberdade à terminologia da “fé”,
mas uma passagem como Romanos 5,16-21
16O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação. 17Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. 18Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. 19Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos. 20Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, 21a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.
presume que aquele que crê entra em uma liberdade
impossível sem a fé, que é a porta para o
novo tempo de salvação.
Paulo considera primordial o que Deus fez
em Cristo e liga a fé à graça (Rm 4,16). Na verdade,
escreve aos efésios: “é pela graça que vós sois
salvos” (Ef 2,8). A graça é importante para entender
a fé, pois enfatiza que a salvação é dádiva gratuita,
não recompensa por alguma realização humana,
nem mesmo recompensa por uma fé excepcional.
Assim, também, é a fé que dá acesso
à graça na qual os que creem estão estabelecidos e
que leva à alegria* (Rm 5,2). Paulo anseia por ser
útil aos filipenses* para seu “progresso e a alegria
da [sua] fé” (Fl 1,25). E, é interessante notar, um
pouco adiante ele fala “no sacrifício e no serviço”
da fé dos filipenses (Fl 2,17). A fé deles
resultou em serviço* sacrifical. Em Cristo os
fiéis têm, “pela fé nele, a liberdade de [se] aproximar
com toda a confiança” (Ef 3,12). Ou Paulo
enfatiza o poder divino*: “a fim de que a vossa
fé não se fundasse na sabedoria dos homens,
mas no poder de Deus” (1Cor 2,5; Fee, 96).
 
2. Justificação
A justificação* é o processo pelo qual o pecador
vem a ser aceito por Deus. Paulo considera
singular o entendimento cristão da justificação
por se basear no que Deus fez, não em uma
realização humana. Ela é concedida pela fé, sem
se basear no mérito humano. O apóstolo apresenta
a mensagem central do caminho cristão
dizendo que o evangelho* “é o poder de Deus
para a salvação de todo aquele que crê”, e prossegue
para dizer que “é nele que a justiça* de
Deus se revela pela [gr. ek\ fé e para a fé” — fé
do começo ao fim! Mais adiante ele cita seu
grande texto de Habacuc 2,4: “Aquele que é justo
pela fé viverá” (Rm 1,16-17). A “justiça de
Deus” vem “pela fé em Jesus Cristo para todos
os que crêem” (Rm 3,22).
Deus é justo e justifica “aquele que vive da
fé em Jesus” (Rm 3,26). As pessoas são justificadas
“pela fé”, em que a preposição ek indica
a origem; é pela fé depositada em Deus que as
pessoas são justificadas. Sendo justificadas, experimentam
a paz* de Deus (Rm 5,1). Paulo
varia seu modo de dizer isso afirmando que “o
homem não é justificado pelas obras da lei, mas
somente pela fé relativa a Jesus Cristo” (Gl 2,16;
ver Obras da lei). Ele põe ênfase na verdade de
que os que crêem são justificados pela fé “independentemente
das obras da lei” (Rm 3.28). Ou
ele olha para o futuro onde será achado em
Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; (Fl 3.9). Ainda mais adiante no futuro, é
“em virtude da fé que esperamos firmemente
se realize o que a justificação nos faz esperar”
(Gl 5.5); essa justificação é a certeza da libertação
no último grande dia (ver Escatologia), e
está claro que Paulo considera a fé importante
a esse respeito. Esse grande tema realça tudo o
que ele escreveu. E básico para Paulo e essencial
para o evangelho que ele dedicou a vida a proclamar.
Com ou sem essa terminologia, ele constantemente
põe diante do leitor a verdade que o
tema transmite. Ninguém pode fazer nada para
merecer a salvação, mas Paulo reitera a verdade
de que todos que vêm a Deus na fé recebem a
salvação como dádiva gratuita.
 
3. A fé e a lei
Para os judeus do século I era uma questão de
grande importância Deus ter dado a lei* para
sua nação entre todas as nações da Terra. Era
preciso ter essa dádiva em grande estima e fazê-
la a base de tudo na vida. Porém, Paulo mostra
que a promessa de Deus a Abraão e seus
descendentes “não foi em virtude da lei, mas em
virtude da justiça da fé” (Rm 4,13). A promessa
foi assegurada aos descendentes de Abraão não
com base na manutenção da lei, mas sim pela
fé (Rm 4,16). A lei se diferencia da fé, pois “a
lei não procede da fé” (Gl 3,12). Como diz F.
F. Bruce, “Para Paulo, lei e fé se inter-relacionam:
o evangelho exige fé, mas a lei exige obras”
(Brucer, 1982,162). Paulo é muito claro quanto
à primazia da fé, por isso diz simplesmente:
“Nós [o pronome é enfático: “nós cristãos”, para
diferenciar de não-cristãos] cremos em Jesus
Cristo, a fim de sermos justificados pela fé
de Cristo e não pelas obras da lei”. Em seguida,
acrescenta a forte declaração: “porque, pelas
obras da lei, ninguém será justificado” (Gl 2,16).
Paulo encontra um lugar para a lei, mas só até
a fé ser “revelada” como o caminho (G1 3,23);
Paulo diz que a fé chegou (G1 3,25); ele considera
a fé ativa.
Paulo está interessado na salvação de judeus
e de gentios*. E. P. Sanders acha “óbvio
que uma das principais preocupações de Paulo
seja assegurar que a salvação é para judeus e
gentios e que precisa ter a mesma base. Essa
base não é a lei e, portanto, precisa ser a fé”
(Sanders, 488). O erro do antigo Israel* foi não
procurar alcançar a justiça pela fé, mas sim por
meio da lei (Rm 9,31-32
31e Israel, que buscava a lei de justiça, não chegou a atingir essa lei. 32Por quê? Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço, ). 
Paulo preocupava-se
profundamente com os judeus (Rm, 10,1) e, para
ele, era devastador que os israelitas não viessem
para Deus pelo caminho da fé em Cristo.
A ênfase que eles punham na lei significava que
tropeçavam, lapso para o qual Paulo acha um
cumprimento de profecia (Rm 9,33, citação de
Is 28,16 e 8,14). Ele não quer dizer que nenhum
israelita é salvo. Afinal de contas, ele próprio
era israelita e se orgulhava disso; e muitos de
seus colaboradores também eram israelitas. Mas,
do mesmo modo que os gentios, eles são salvos
pela fé (Rm 3,30). A lei não é o caminho da
salvação. A lei mostra que homens e mulheres
são pecadores; não traz salvação (2Cor 3,6-16).
Na verdade, Paulo fala de uma “lei da fé”
que ele opõe, de modo específico, a uma “lei
das obras” (Rm 3,27 [CNBB]). Talvez seja um
paradoxo falar de uma “lei da fé”, mas a expressão
revela algo da forte ênfase paulina na centralidade
da fé. Se as pessoas vão considerar o caminho
para Deus uma “lei”, então essa lei presume
que chegam a ele pela fé e não por causa de
quaisquer méritos próprios. Se os que seguem
o caminho da lei herdam a bênção, então a promessa
feita a Abraão* é vazia, e isso é impensável.
Significaria que a promessa de Deus não
tem mais sentido (Rm 4,14). A Escritura, diz
Paulo, “sujeitou tudo ao pecado num cativeiro
comum, a fim de que, pela fé relativa a Jesus
Cristo, a promessa fosse cumprida para os que
crêem” (Gl 3,22). As próprias Escrituras que os
judeus valorizam tanto enfatizam o pecado de
tal maneira que quem as lê corretamente deve
entender que ninguém alcança a salvação pelas
obras. Precisa se voltar para a promessa, e a
promessa subentende confiança no Deus que
tem sua fidelidade demonstrada em suas promessas
de aliança feitas ao patriarca e cumpridas
em Cristo e na Igreja (cf. 2Cor 1,17-22
 17Ora, determinando isto, terei, porventura, agido com leviandade? Ou, ao deliberar, acaso delibero segundo a carne, de sorte que haja em mim, simultaneamente, o sim e o não? 18Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não é sim e não. 19Porque o Filho de Deus, Cristo Jesus, que foi, por nosso intermédio, anunciado entre vós, isto é, por mim, e Silvano, e Timóteo, não foi sim e não; mas sempre nele houve o sim. 20Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio. 21Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, 22que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração.;
ver Van Unnik).
 
4. Abraão
Paulo apela ao exemplo de Abraão*, progenitor
do povo de Deus (fala dele 19 vezes). Por duas
vezes ele expõe adequadamente a maneira como
Abraão foi aceito por Deus, e em ambas ressalta
que o grande patriarca foi aceito em virtude da
fé tão-somente (Rm 4; Gl 3). Para Paulo é significativo
que Abraão fosse aceito por Deus apenas
por acreditar que o que Deus lhe prometera
Deus cumpriria. Paulo elimina explicitamente as
obras como base da aceitação de Abraão diante
de Deus (Rm 4,2). A fé de Abraão na fidelidade
divina foi significativa. Gênesis 15,6 é texto fundamental
para Paulo, e deixa claro que Abraão
tinha fé e que por isso Deus o aceitou (Rm 4,34;
Gl 3,6). Se o grande patriarca foi aceito dessa
maneira, então é óbvio para Paulo que os outros
que são aceitos não são aceitos de nenhuma outra
maneira.
Os judeus do tempo de Paulo davam uma
importância enorme à circuncisão*, rito que
Abraão iniciou para eles por ordem de Deus e
como “sinal da aliança” (Gn 17,11); na verdade,
Deus disse a Abraão: “Eis a minha aliança” (Gn
17,10). Mas Paulo afirma que a aceitação de
Abraão por Deus aconteceu antes que ele fosse
circuncidado, e dessa seqüência ele conclui que
a circuncisão não tem a importância que os judeus
de seu tempo lhe atribuíam, isto é, a de
identificador e sinal de que eram participantes
da aliança (Dunn, 1988; ver Obras da lei). Ele
fala de Abraão como “pai dos circuncisos”, mas
considera essa paternidade não dos que simplesmente
foram circuncidados, mas daqueles que
“caminham nas pegadas da fé de nosso pai
Abraão, antes de sua circuncisão” (Rm 4,12).
A fé foi levada em conta de justiça para
Abraão (4,22), verdade registrada não apenas
como parte da história, mas “para nós também,
nós... que cremos nAquele que, dentre os mortos,
ressuscitou Jesus, nosso Senhor” (Rm 4,24;
ver Ressurreição). Paulo faz disso a base de um
argumento pela aceitação de gentios na Igreja
cristã. “São os que crêem [ek pisteõs] que são
filhos de Abraão” (G13,7), “aqueles que crêem”
é que “são abençoados com Abraão, o crente”
(G1 3,9); essa é uma verdade prevista na Escritura
(G1 3,8).
Paulo considera a circuncisão, quando proclamada
como privilégio exclusivo, uma barreira
à salvação (Gl 5,2): é a fé (a fé que age pelo
amor) que é eficaz (Gl 5,6). Se alguém é circuncidado
por zelo com a lei, mas não tem fé, não
deve ser corretamente contado entre os filhos
de Abraão. Nem todos os descendentes de
Abraão são seus filhos verdadeiros (Rm 9,7);
mais exatamente, são os que pertencem ao
Cristo que são a descendência de Abraão e herdeiros
“segundo a promessa” (Gl 3,29). Paulo
faz uma declaração notável ao dizer que a obra
redentora de Cristo, ao se tomar “maldição* por
nós”, é “para que a bênção de Abraão alcance
os gentios em Jesus Cristo” (G1 3,13-14). O
único caminho é a fé.
 
5. Fidelidade
“Fiel é o Deus”, escreve Paulo, “que vos chamou
à comunhão” (ICor 1,9), e isso é fundamental
para o entendimento integral dos contatos
de Deus com seu povo, nos dois períodos de
aliança. Nenhuma falha humana invalida a fidelidade
de Deus (Rm 3,3). 
Porque Deus é fiel, os que Deus chama precisam refletir a qualidade
que com ele aprenderam, isto é, em resposta a
sua lealdade à aliança. Os fiéis são citados como
“fiéis em Jesus Cristo” (Ef 1,1; cf Cl 1,2). A
palavra pistis é geralmente traduzida como “fé”,
mas às vezes significa “fidelidade” (e.g., Gl 5,22
[BMD]). É, com certeza, o caso quando Paulo
pergunta: “a infidelidade deles tomaria nula a
fidelidade [pistin] de Deus?” (Rm 3,3).
E mais difícil quando encontramos a expressão
que pode ser traduzida literalmente como
“justiça de Deus pela fé de Jesus Cristo” (Rm
3,22; cf. Rm 3,26; G1 2,16.20; 3,22; F1 3,9).
Muitos concordam que devemos entender isso
como “fé em Jesus Cristo”, embora seja possível
ver o sentido como “a fidelidade de Jesus
Cristo” ou como “a fé que Jesus Cristo praticava”,
entendendo que as palavras indicam a perfeita
humanidade de Jesus Cristo (ver Cristologia).
Esse último ponto de vista, que entende o
genitivo de pistis Christou como genitivo subjetivo
(i.e., “fidelidade de Cristo”), obteve algum
apoio entre os biblistas, sendo o argumento mais
convincente o de R. Hays (1983, 1991; ver a
história da interpretação em Howard ABD). A
posição tradicional afirma que o genitivo é
objetivo (“fé em Cristo”; ver, e.g., Dunn, 1988,
1991). A questão continua a ser debatida (ver
em Campbell uma perspectiva lingüística e estrutural
a respeito do significado de ek pisteõs
e dia pisteõs e a influência de Hab 2,4), mas,
como observou Dunn, se Paulo queria chamar
a atenção para a fidelidade de Cristo, é estranho
que perdesse algumas oportunidades. Em Romanos
4, por exemplo, a fé de Abraão é o modelo,
não a fidelidade de Cristo (Dunn, 1988, 1,166;
mas cf. Longenecker 1990, 87-88). É provável
que devamos entender que Paulo se refere à fé
em Jesus como objeto, embora as outras possibilidades
nos lembrem de que ele era fiel ao Pai
e vivia pela fé.
Paulo inclui a fé na lista do que chama
“fruto do Espírito” (G1 5,22). É possível que
isso signifique que o Espírito Santo* produz
fé salvadora naquele que crê, mas é muito mais
provável que nessa lista a palavra denote fidelidade,
a qualidade de confiabilidade total. E
esse o caso também quando o apóstolo fala de
uma série de dons para os fiéis e inclui “o
mesmo Espírito dá fé” (ICor 12,9). Como essas
palavras são precedidas por “a um”, o apóstolo*
não se refere à fé salvadora, pois essa é o
bem comum de todos os cristãos, não um dom
do Espírito a um fiel e não a outro. Talvez ele se
refira à fidelidade, embora, claro, alhures ele
fale em ter “a fé mais total, a que transporta
montanhas” (ICor 13,2), e talvez seja dessa fé
que ele escreve aqui (ver a classificação que
O. Wischmeyer faz disso como Wunderglaube
comparado com Kerygmaglaube, i.e., fé no poder
milagroso de Deus em contraste com a fé
salvadora do fiel no evangelho). É verdade que
para W. Schmithals isso se refere à controvérsia
com os gnósticos que afirmavam que só um
número limitado de cristãos são “pneumáticos”
(“espirituais”); Paulo argumenta que todos os
cristãos têm fé e, assim, são “pneumáticos”
(Schmithals, 172-173). Mas independentemente
das objeções que possam ser dirigidas contra
a posição geral de Schmithals, parece que ele
não prestou bastante atenção à expressão “a
um... a outro”. Paulo não descreve a posição de
todos os verdadeiros cristãos, mas fala sim de
um dom só concedido a alguns deles, embora
talvez aqui, como em 1 Corintios 13,2, devamos
ver o dom ou o carisma do poder da cura
exercido na fé.
 
6. A fé e o Espírito Santo
Segundo Paulo, a fé é o pré-requisito necessário
para a presença do Espírito Santo naquele
que crê. Ele repreende severamente os gálatas
por traírem a fé que marcou sua experiência
anterior e lhes trouxe o dom do Espírito. Ele
só tem uma pergunta: “Será em virtude da
prática da lei que recebestes o Espírito, ou por
terdes escutado a mensagem da fé?”, mas em
seguida pergunta de modo um pouco diferente:
“Aquele que vos concede o Espírito... acaso o
faz em virtude da prática da lei ou porque escutastes
a mensagem da fé?” (G1 3,2.5). Nesta
passagem ele leva os gálatas* de volta ao início
da experiência cristã e lembra-lhes de que
naquela ocasião eles simplesmente acreditaram,
o que resultou no dom do Espírito Santo.
Coisas sobrenaturais lhes aconteceram, e essas
mostras de poder milagroso foram resultado
da vinda do Espírito em resposta à fé, não da
prática da lei. O uso do tempo presente significa
que essas coisas continuavam. Deus ainda
lhes proporcionava o Espírito e ainda o fazia
pela fé, não pela lei.
Os que crêem estão “marcados com o sinete
do Espírito prometido, o Espírito Santo” (Ef 1,13),
em que a metáfora do sinete destaca os que crêem
como pertencentes a Deus. O sinete de Deus está
neles. A mesma passagem continua para afirmar
que o Espírito é “o adiantamento” ou “a garantia”
(arrabõn) de sua herança. O arrabõn era
um penhor (ver Primícias, penhor), uma garantia
de que o resto do que foi prometido seria
pago no devido tempo. Paulo usa-o para lembrar
que, embora o dom atual do Espírito Santo seja
prova de salvação agora, muito mais virá no
faturo escatológico.
Paulo diz ainda que “Cristo pagou para nos
libertar da maldição da lei” e que isso foi feito
“para que a bênção de Abraão alcance os pagãos
em Jesus Cristo”, e acrescenta outro propósito:
“e, assim, nós recebêssemos pela fé o
Espírito, objeto da promessa” (G1 3,13-14).
Não devemos ver a fé como ato meritório recompensado
com o dom do Espírito. Ao contrário,
Paulo diz que há uma obra divina nos
que crêem e que é pela fé que eles recebem o
dom do Espírito de Deus e, assim, o dom da fé
salvadora (ICor 12,3).
Ele também diz que “é pelo Espírito, em
virtude da fé”, que os fiéis têm esperança* de
que “se realize o que a justificação” os “faz
esperar5’ (G15,5). Devemos também nos lembrar
de que a “fé” faz parte do fruto do Espírito (G1
5,22), e que, por seu Espírito, Deus produz o
dom da “fé” (ICor 12,9). Como esse dom é feito
“a um”, o que está em mente não é a fé salvadora
que é o bem comum de todos os cristãos,
mas um dom especial (charisma). Porém, para
nosso propósito atual, é importante observar que
essa fé exercida em um ministério de poderes
que operam milagres (ver Sinais, prodígios,
milagres) é um dom do Espírito.
Paulo fala em ter o “mesmo espírito de fé
do qual está escrito: Eu cri, e por isso falei”; e
continua: “também nós cremos, e é por isso
que falamos” (2Cor 4,13). A citação é do Salmo
116,10 e, como observa R. P. Martin, “a confiança
de Paulo remonta à certeza semelhante
que ele encontrou no salmista... Ele considera seu
ministério falado um testemunho de sua fé — e
da fé do salmista — no triunfo da vida sobre a
morte” (Martin, 89). Não é fácil ver aqui uma
referência específica ao Espírito Santo no sentido
normalmente visto no NT. Mas também não
é fácil descartar tal referência, pois está claro
que o apóstolo se via agindo e falando sob a
inspiração do Espírito Santo.
 
7. A fé e a vida cristã
 
Paulo não considera a fé uma espécie de passaporte
para a salvação, como se precisássemos
crer para ser contados entre os salvos, e que daí
em diante precisássemos viver por nossos esforços.
Ele fala de Cristo que vai habitar nos
corações dos que crêem “pela fé” (Ef 3,17), o
que indica uma atividade constante, não uma
visita passageira.
A fé não é imutável, precisa crescer. Paulo
deixa claro que há diversos níveis de fé. Alguns
fiéis, por exemplo, têm a fé que transporta montanhas
(ICor 13,2; a conclusão é que essa é uma
fé que opera milagres, não a fé que esperamos
que todo cristão tenha; ver ICor 12,29, onde as
perguntas presumem um não como resposta).
O apóstolo fala que os coríntios têm fé “em
abundância” (2Cor 8,7), e tem esperança de que
essa fé aumente (2Cor 10,15). Do mesmo modo,
ele diz aos efésios que Deus concedeu certos dons
à Igreja para sua edificação “até que cheguemos
todos juntos à unidade na fé e no conhecimento
do Filho* de Deus*” (Ef 4,13). A fé dos tessalonicenses
“faz grandes progressos” (2Ts 1,3; cf.
2Cor 10,15). Por outro lado, ele reconhece que
alguns dos que crêem são fracos “na fé” (Rm
14,1). Os que professam a fé, mas negam que
Cristo ressuscitou dos mortos, são piores, pois
se Cristo não ressuscitou dos mortos “vossa fé
é vazia” (ICor 15,14) ou “ilusória” (ICor 15,17).
A menção a “uma fé sincera” (lTm 1,5) talvez
indique que não se desconhecia uma fé fingida
(ver esta distinção em Volf, esp. no séc. VII;
ver Apostasia, apostatar, perseverança).
A fé está ligada a outras importantes qualidades
cristãs, particularmente ao amor* (como
em Fm 5). Em um trio digno de nota, Paulo
diz: “Agora, portanto, permanecem estas três
coisas, a fé, a esperança* e o amor”, em que as
três estão estreitamente ligadas (ver BDF 135;
ver Martin, 1984, 54-56). Essas três qualidades
estão ligadas em outras passagens (e.g., G1 5,56;
Ef 1,15-18; Cl 1,4-5; lTs 1,3). A ligação da
fé com a esperança e o amor é, evidentemente,
uma verdade à qual Paulo deu freqüente expressão.
E, como é natural, ele liga a fé a diversas
virtudes cristãs importantes, quando relaciona
“o fruto do Espirito”* (G1 5,22-23). Paulo reza
para que Cristo habite nos corações dos cristãos
efésios* e prossegue com o pensamento de que
estejam “arraigados e fundados no amor” (Ef
3,17). Ele encerra a Carta aos Efésios com a
oração* para que a paz, o amor e a fé “da parte
de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo” estejam
com os irmãos (Ef 6,23). E também liga a fé à
“esperança do Evangelho” (Cl 1,23).
Não devemos pensar na fé como virtude que
os cristãos produzem por um ato meritório. Os
fiéis são pecadores e incapazes de produzir com
seus próprios recursos uma qualidade como a
da fé salvadora. Deus a confere, concede-a como
um dom (Rm 12,3; cf. 12,6). Isso se harmoniza
com o fato de, às vezes, a fé ser vista como a
base de toda a vida do cristão. E Paulo faz uma
declaração notável quando diz que morreu “para
a lei, a fim de viver para Deus”, e prossegue:
“Com Cristo eu sou um crucificado, vivo, mas
não sou mais eu, é Cristo que vive em mim.
Pois a minha vida presente na carne, vivo-a pela
fé no Filho de Deus” (G12,19-20). Há profundezas
nessa declaração, mas para nosso propósito
atual o importante é que Paulo diga que toda a
sua vida é vivida “pela fé no Filho de Deus”. A
fé é central em toda a sua vida.
A vida nem sempre é serena, e Paulo reconhece
a inevitabilidade do conflito entre o bem
e o mal que envolve o povo de Deus. Ele faz
uso da metáfora da armadura algumas vezes e
considera importante “o escudo da fé”; com
ele os fiéis podem “apagar todos os projéteis
inflamados do Maligno” (Ef 6,16). A partir de
outro ponto de vista, ele usa a idéia de conflito
quando exorta os filipenses a se manter firmes
e lutar “segundo a fé do Evangelho” (F1 1,27;
ver 10 adiante).
 
8. A fé e a obediência
No início de Romanos, Paulo fala da “obediência
da fé” (Rm 1,5; 16,26), o que tem sido entendido
de várias maneiras. E improvável que
signifique “obediência à fé” (Moffatt; com certeza
a construção seria diferente se o significado
fosse esse). “Obediência que consiste na fé” ou
“obediência que brota da fé” são muito mais
prováveis. Para nosso propósito atual, o ponto
importante é que a fé e a obediência estão ligadas;
não devemos entender que a ênfase paulina
na fé significa que ele põe de lado a importância
da obediência. Os que realmente acreditam em
Cristo são obedientes a sua vontade. “A palavra
de fé” (Rm 10,8) é provavelmente outro requisito
para a obediência, com o sentido de “mensagem
que requer obediência”.
Paulo não estabelece uma série de leis
dietéticas, mas ele viveu em uma época e um
lugar onde leis dietéticas não eram incomuns
entre as pessoas religiosas. Se um cristão tinha
a fé que lhe permitia perceber a irrelevância das
leis dietéticas, então esse cristão podia comer
alimentos proibidos, “mas aquele que come
quando está com dúvidas é condenado, porque
o seu comportamento não procede de uma convicção
de fé” (Rm 14,23; Paulo acrescenta:
“tudo que não procede de uma convicção de fé
é pecado”). A fé (ou a falta de fé) determina o
que podemos comer! Não devemos pensar que
a fé põe de lado a conduta ética (ver Ética).
Mais exatamente, a fé leva à responsabilidade
ética, em especial quando se trata de novos cristãos
(ver Idolatria; Forte e fraco).
 
9. A fé e a Igreja
Paulo enfatiza a importância de fazer parte da
família celeste. “Pois todos vós sois, pela fé,
filhos de Deus”, ele escreve, e acrescenta: “em
Jesus Cristo” (G1 3,26), que, provavelmente,
deve ser entendido não tanto como “fé em
Cristo” (embora isso seja verdade) quanto como
“filhos de Deus” e também pessoas “em Jesus
Cristo” (assim Bruce; ver Adoção, filiação). É
a fé e não uma realização humana que admite
os fiéis como membros da família de Deus.
Paulo esperava que seus convertidos se unissem
em comunidades de fé. Ele fala da Igreja toda
como “família da fé” (G1 6,10 [CNBB]). O que
caracteriza um grupo de fiéis a quem ele escreve
é a fé que eles têm. Paulo dá graças porque no
mundo inteiro se proclama a fé dos cristãos romanos
(Rm 1,8). Ele diz que ouviu falar da fé dos
efésios no Senhor Jesus (Ef 1,15), de modo que
a fé deles também era amplamente conhecida. E,
apesar de ser um líder apostólico, Paulo procura
ser reconfortado pela fé dos cristãos romanos
(Rm 1,12). Ele deprecia o papel desempenhado
por pregadores e líderes cristãos rivais em Corinto*.
Diz que não tem nenhuma autoridade* sobre
a fé dos coríntios e afirma: “quanto à fé, estais
firmes” (2Cor 1,24). Os coríntios cristãos
tinham um relacionamento direto com Deus pela
fé e Paulo não tinha autoridade para se interpor.
O adjetivo pistos significa “fiel” e é usado
para explicar que Deus é fiel (ICor 1,9; 10,13).
Mas também se pode dizer que os que crêem
são fiéis, em conjunto (Ef 1,1; lTm 4,12), ou
como fiéis individuais, por exemplo, Timóteo
(ICor 4,17) ou Tíquico (Cl 4,7). Na verdade,
Paulo afirma que ele próprio é fiel (ICor 7,25;
i.e., digno de confiança, cf. ICor 4,2).
 
10. A fé
Na maioria das vezes, Paulo fala da fé em termos
de confiança em Cristo ou em Deus. É a atitude
básica que transfere as pessoas da pecaminosidade
para uma relação correta com a divindade.
A fé é tão fundamental que o termo pode ser
usado para classificar todo o modo cristão, e a
expressão “a fé” surge não apenas como um
modo de se referir à confiança em Cristo que é
tão básica, mas como um meio de chamar a atenção
para o conjunto todo de ensino e prática que
caracteriza o grupo cristão. Tudo isso surge da
fé e é expressão de fé, contudo enuncia e expressa
o que os cristãos crêem, sua doutrina ou “depósito”
(termo freqüente nas Pastorais*).
Assim, Paulo diz que agora prega “a fé”
que antes perseguia (G1 1,23). Ele não quer
dizer que perseguia as pessoas por confiarem
em Deus; diz que perseguia os que aceitavam
todo o sistema cristão da verdade que tão firmemente
enfatizava a importância da fé. Não
devemos menosprezar o fato de ser a fé tão
essencial ao cristianismo que este se caracteriza
em termos dessa palavra. Mas a referência aqui
não é ao simples exercício de confiança em
Cristo, mas ao modo cristão de crença que resulta
dessa confiança.
Vemos isso também em uma passagem
como: “Fazei vós mesmos a vossa autocrítica,
vede se estais na fé, provai a vós mesmos” (2Cor
13,5). Essas palavras parecem significar mais
que “Testai se ainda confiais em Cristo”; indicam
um entendimento de verdade que surge da
confiança no Salvador. O mesmo acontece com
a exortação paulina aos coríntios: “Mantendevos
firmes na fé” (ICor 16,13), onde é certamente
o conjunto de ensinamentos cristãos que
está em mente. Os filipenses são exortados a
lutar “segundo a fé do Evangelho” (F1 1,27),
onde vemos um uso muito claro de “a fé” para o
conteúdo doutrinal do evangelho pregado (a menos
que entendamos as palavras no sentido de
FILÊMON, CARTA A
“a fé que o evangelho criou”). Nas cartas Pastorais,
é importante que as pessoas, em especial
os líderes, tenham “uma fé sadia” (Tt 1,13; 2,2).
Paulo profetizou que nos últimos tempos “alguns
renegarão a fé” (lTm 4,1; cf. 4,6). Mas,
quando sua vida estava perto do fim, ele escreveu:
“Guardei a fé” (2Tm 4,7).
Ver também A p o s t a s ia , a po sta ta r , p e r s e v
e r a n ç a ; C r e d o ; G á la ta s, C arta a o s; E v a n g el
h o ; J u s t if ic a ç ã o ; L e i; R o m a n o s , C a rta a o s ;
O b r a s d a l e i.
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L. M o r r is

 

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